Nome original do viés: Availability bias

Tradutores: Carolina de Oliveira Cruz Latorraca

Primeiro revisor: Luis Eduardo Fontes

Uma distorção que surge do uso de informação mais facilmente acessível, mas não necessariamente mais representativa da realidade.

Introdução

Todas as perguntas de pesquisas e decisões, quer considerando a acurácia diagnóstica de um teste ou a efetividade de uma intervenção, envolvem a interpretação de dados. Decisões clínicas são baseadas em dados, que podem ser dos atendimentos de rotina, evidências publicadas, guidelines ou preferências e experiência do clínico.

Os pacientes decidem como proceder com relação à sua saúde ou seus cuidados baseados em informações que podem vir de uma variedade de fontes, incluindo profissionais da saúde, dados publicados (principalmente mídia leiga) e seus próprios ambientes e experiências. O que há de comum entre essas três áreas é que normalmente são baseadas em dados disponíveis.

O viés de disponibilidade ocorre devido à tendência natural de acreditar de forma desproporcional nos dados mais facilmente acessíveis. Isso também pode ocorrer com o uso de inteligência artificial nos cuidados em saúde se seus algoritmos derem maior ênfase nos dados prontamente disponíveis, o que não necessariamente representa totalmente a população de interesse.

A disponibilidade de informação pode ser influenciada pelo viés de distorção, viés de retórica, viés de percepção e viés de memória. O viés de confirmação (quando a informação é buscada e utilizada para apoiar crenças pré-concebidas) pode levar ao viés de disponibilidade se os dados que não apoiam essas crenças são desconsiderados e não estão disponíveis para uma decisão ou análise em particular.

Exemplo

Pesquisadores da Universidade de Erasmus (Erasmus University), em Rotterdam, decidiram avaliar se os médicos recém-formados (primeiro ou segundo anos de residência) baseavam seus diagnósticos em experiências clínicas mais recentes (informações mais recentemente disponibilizadas). Eles avaliaram a acurácia diagnóstica dos casos resolvidos (escore perfeito = 4,0) com ou sem exposição prévia.

Impacto

Os médicos no segundo ano de residência fizeram menos pontos nos casos em que tiveram um contato prévio (1,55; Intervalo de Confiança (IC) 95%, 1,15 a 1,96) do que nos outros casos (2,19; IC 95% 1,73 a 2,66; P = 0,03). A mesma tendência não foi encontrada nos médicos no primeiro ano de residência (2,03; IC 95%, 1,55 a 2,51 versus 1,42; IC 95%, 0,92 a 1,92; P = 0,046). Portanto, os resultados apoiam o viés de disponibilidade (superestimativa da probabilidade de um diagnóstico baseado no que logo vem à mente, na facilidade) para os médicos no segundo ano de residência, mas não para os médicos no primeiro ano.

Passos para prevenção

A fase final do estudo citado acima envolveu um estágio de reflexão, em que os residentes eram convidados a fazer seus diagnósticos novamente após análise mais profunda das características do caso. Para os residentes de ambos os anos, primeiro (2,31; IC 95%, 1,89 a 2,73) e segundo (2,03; IC 95%, 1,49 a 2,57; P = 0,006), as pontuações de acurácia diagnóstica melhoraram.

O viés de disponibilidade pode ser reduzido ou mitigado considerando se toda a informação e dados necessários para a tomada de decisão são suficientes.

Link para o original: https://catalogofbias.org/biases/availability-bias/

Deve ser citado como: Catalogue of Bias Collaboration, Banerjee A, Nunan D. Availability bias. In: Catalogue of Bias 2019: www.catalogbias.org/availabilitybias

 

Fontes:

Effect of availability bias and reflective reasoning on diagnostic accuracy among internal medicine residents. JAMA. 2010 Sep 15;304(11):1198-203. doi: 10.1001/jama.2010.1276.

 

PubMed feed

Masters T, Willenbring B, Westgard B, Cole J, Hendriksen S, Walter J, Logue C, Olives T. Availability of Bedside and Laboratory Testing for Carbon Monoxide Poisoning in the Upper Midwestern United States.