{"id":3483,"date":"2020-07-21T12:57:27","date_gmt":"2020-07-21T15:57:27","guid":{"rendered":"http:\/\/oxfordbrazilebm.com\/?page_id=3483"},"modified":"2020-07-21T12:57:27","modified_gmt":"2020-07-21T15:57:27","slug":"a-etica-de-estudos-sobre-tratamentos-para-covid-19-muitos-sao-abertos-poucos-sao-duplo-cegos","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/oxfordbrazilebm.com\/index.php\/a-etica-de-estudos-sobre-tratamentos-para-covid-19-muitos-sao-abertos-poucos-sao-duplo-cegos\/","title":{"rendered":"A \u00e9tica de estudos sobre tratamentos para COVID-19: muitos s\u00e3o abertos, poucos s\u00e3o duplo-cegos"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><p>[vc_row][vc_column][vc_column_text]<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">30 de junho de 2020<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>Jeffrey K Aronson, Nicholas DeVito, Robin E Ferner*\u2020, Kamal R Mahtani, David Nunan, Annette Pl\u00fcddemann <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Em nome da equipe do Oxford COVID-19 Evidence Service Team<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Centre for Evidence-Based Medicine, Nuffield Department of Primary Care Health Sciences<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">University of OxfordCorrespond\u00eancia para <a href=\"mailto:jeffrey.aronson@phc.ox.ac.uk\">jeffrey.aronson@phc.ox.ac.uk<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">*Universidade de Birmingham \u2020University College London<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Resumo<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um painel da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS), reunido durante a epidemia do v\u00edrus \u00c9bola em 2014, avaliou as implica\u00e7\u00f5es \u00e9ticas ao se utilizar medicamentos com resultados promissores em estudos de laborat\u00f3rio e em animais, mas que n\u00e3o haviam sido avaliados em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 seguran\u00e7a e efic\u00e1cia em humanos. O painel concluiu que os pesquisadores t\u00eam o dever moral de avaliar interven\u00e7\u00f5es n\u00e3o comprovadas (para tratamento ou preven\u00e7\u00e3o) em ensaios cl\u00ednicos com o melhor desenho poss\u00edvel em circunst\u00e2ncias excepcionais. Circunst\u00e2ncias como as que se aplicam hoje.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na nossa vis\u00e3o, a descri\u00e7\u00e3o &#8220;ensaios cl\u00ednicos com o melhor desenho poss\u00edvel&#8221;, quando se trata de interven\u00e7\u00f5es terap\u00eauticas, implica em ensaios controlados randomizados adequadamente mascarados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entretanto, h\u00e1 mais ensaios de interven\u00e7\u00f5es farmacol\u00f3gicas sendo conduzidos no tratamento da Covid-19 sem mascaramento das interven\u00e7\u00f5es do que com mascaramento. Alguns ensaios mascaram apenas o participante e n\u00e3o o investigador (<em>single-blind<\/em>). Uma minoria \u00e9 controlada por placebo. Estudos de interven\u00e7\u00f5es n\u00e3o-farmacol\u00f3gicas est\u00e3o sendo ainda menos bem conduzidos, confiando em grande parte em estudos retrospectivos e modelos matem\u00e1ticos de valor incerto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00f3s acreditamos que isto seja um potencial desperd\u00edcio de tempo dos participantes e investigadores e, portanto, anti\u00e9tico. Resultados tendenciosos podem distorcer a tomada de decis\u00f5es terap\u00eauticas, as percep\u00e7\u00f5es do p\u00fablico, o investimento na sa\u00fade e o status e o valor da pesquisa m\u00e9dica. Eles podem sugerir falsamente uma falta de <em>equipoise<\/em>, desencorajando os investigadores de realizar ensaios cl\u00ednicos bem desenhados e dificultando o recrutamento para tais estudos. Eles podem resultar em mais danos do que benef\u00edcios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-3484\" src=\"http:\/\/oxfordbrazilebm.com\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/img60_01.jpg\" alt=\"\" width=\"268\" height=\"69\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O grito de batalha de Tom Chalmers engloba o que ele havia escrito <a href=\"https:\/\/www.jameslindlibrary.org\/chalmers-tc-1975-2\/\">anteriormente<\/a>, em 1975: &#8220;O conceito de que o primeiro paciente doente a receber um novo medicamento, procedimento ou opera\u00e7\u00e3o deve ser randomizado, decorre do reconhecimento da influ\u00eancia perniciosa de ensaios-piloto no adiamento ou elimina\u00e7\u00e3o de um ensaio terap\u00eautico definitivo&#8221;, e <a href=\"https:\/\/www.jameslindlibrary.org\/chalmers-tc-1968\/\">antes ainda<\/a>, em 1968: &#8220;Estou firmemente convencido de que o primeiro paciente a receber um novo agente deve ser randomizado&#8221;. \u00c9 uma mensagem que muitas vezes \u00e9 esquecida ou ignorada. Mesmo os ensaios que s\u00e3o registrados como randomizados muitas vezes n\u00e3o especificam o m\u00e9todo de randomiza\u00e7\u00e3o e nem se e como ser\u00e1 feito o sigilo da aloca\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A randomiza\u00e7\u00e3o efetiva da interven\u00e7\u00e3o sendo estudada ou de seu(s) comparador(es) \u00e9 um componente essencial de ensaios cl\u00ednicos confi\u00e1veis, pois garante que quaisquer diferen\u00e7as nas caracter\u00edsticas que possam influenciar o desfecho entre um grupo de tratamento e um grupo de compara\u00e7\u00e3o surjam por acaso.\u00a0 Os vieses que resultam de uma randomiza\u00e7\u00e3o inadequada t\u00eam sido reconhecidos pelo menos desde o experimento do <a href=\"https:\/\/www.jameslindlibrary.org\/leighton-g-mckinlay-pl-1930\/\">Lanarkshire School Milk\u00a0<\/a> relatado em 1930. Mas embora o erro de &#8220;comparar ma\u00e7\u00e3s e laranjas&#8221; seja comumente reconhecido, a epidemia da Covid-19 tem visto uma s\u00e9rie de ensaios cl\u00ednicos <a href=\"https:\/\/www.nejm.org\/doi\/full\/10.1056\/NEJMoa2007016?query=featured_coronavirus\">sem grupo controle<\/a>\u00a0ou\u00a0<a href=\"https:\/\/www.ncbi.nlm.nih.gov\/pmc\/articles\/PMC7102549\/\">randomizados de forma inefetiva<\/a> e cujos resultados n\u00e3o s\u00e3o confi\u00e1veis e podem estar influenciando adversamente a pol\u00edtica de sa\u00fade. A randomiza\u00e7\u00e3o adequada e a manuten\u00e7\u00e3o do sigilo da aloca\u00e7\u00e3o formam o alicerce de um ensaio cl\u00ednico bem desenhado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-3485 size-full\" src=\"http:\/\/oxfordbrazilebm.com\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/img60_02.jpg\" alt=\"\" width=\"508\" height=\"102\" srcset=\"https:\/\/oxfordbrazilebm.com\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/img60_02.jpg 508w, https:\/\/oxfordbrazilebm.com\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/img60_02-300x60.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 508px) 100vw, 508px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A escolha do comparador \u00e9 importante. A hip\u00f3tese nula \u00e9 que os tratamentos comparados s\u00e3o igualmente eficazes, e isto \u00e9 mais f\u00e1cil de julgar se o comparador n\u00e3o tem efeito, ou seja, um placebo. Entretanto, surgem dificuldades se o comparador for o &#8220;cuidado padr\u00e3o&#8221;, sem um placebo (equipe de cuidados e pacientes n\u00e3o s\u00e3o mascarados); ou se for de efic\u00e1cia desconhecida; ou se um placebo for usado quando houver uma alternativa conhecidamente eficaz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-3486 size-full\" src=\"http:\/\/oxfordbrazilebm.com\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/img60_03.jpg\" alt=\"\" width=\"454\" height=\"88\" srcset=\"https:\/\/oxfordbrazilebm.com\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/img60_03.jpg 454w, https:\/\/oxfordbrazilebm.com\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/img60_03-300x58.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 454px) 100vw, 454px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Durante um ensaio cl\u00ednico, o mascaramento (ou seja, a oculta\u00e7\u00e3o do conhecimento da interven\u00e7\u00e3o \u00e0 qual os participantes foram designados ap\u00f3s a randomiza\u00e7\u00e3o), para minimizar o risco de <a href=\"https:\/\/catalogofbias.org\/\">vieses<\/a>, \u00e9 igualmente importante. No entanto, o mascaramento \u00e9 ainda mais comumente e imperdoavelmente ignorado nos ensaios da Covid-19 do que a randomiza\u00e7\u00e3o e a oculta\u00e7\u00e3o da aloca\u00e7\u00e3o. Ensaios cl\u00ednicos sobre o uso de cloroquina e hidroxicloroquina, no tratamento de pessoas com Covid-19, exemplificam o problema. Os dados de 142 protocolos registrados para tais ensaios s\u00e3o mostrados na Tabela 1. Dados similares de ensaios cl\u00ednicos atualmente registrados de remdesivir, tocilizumabe e v\u00e1rios corticosteroides s\u00e3o mostrados na Tabela 2.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tabela 1.<\/strong> Os n\u00fameros de estudos com mascaramento \u00fanico, duplo ou triplo* de cloroquina, ou hidroxicloroquina, ou ambos, como medicamentos prim\u00e1rios de investiga\u00e7\u00e3o ou como comparadores, atualmente inclu\u00eddos em registros de ensaios cl\u00ednicos em 30 pa\u00edses.<\/p>\n<table width=\"698\">\n<tbody>\n<tr>\n<td width=\"186\"><strong>Grupo de pa\u00edses (n\u00famero de pa\u00edses)<\/strong><\/td>\n<td width=\"101\"><strong>N\u00famero de ensaios<\/strong><\/td>\n<td width=\"104\"><strong>Mascaramento \u00fanico<\/strong><\/td>\n<td width=\"157\"><strong>Mascaramento duplo, triplo ou qu\u00e1druplo<\/strong><\/td>\n<td width=\"149\"><strong>N\u00famero total de ensaios com mascaramento (%)<\/strong><\/td>\n<td width=\"1\"><strong>\u00a0<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"186\">Europa (13)<\/td>\n<td width=\"101\">40<\/td>\n<td width=\"104\">0<\/td>\n<td width=\"157\">13<\/td>\n<td width=\"149\">13 (33%)<\/td>\n<td width=\"1\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"186\">Extremo Priente e Austr\u00e1lia (8)<\/td>\n<td width=\"101\">37<\/td>\n<td width=\"104\">5<\/td>\n<td width=\"157\">4<\/td>\n<td width=\"149\">9 (24%)<\/td>\n<td width=\"1\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"186\">Oriente M\u00e9dio (4)<\/td>\n<td width=\"101\">26<\/td>\n<td width=\"104\">2<\/td>\n<td width=\"157\">8<\/td>\n<td width=\"149\">10 (38%)<\/td>\n<td width=\"1\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"186\">Am\u00e9rica do Norte (2)<\/td>\n<td width=\"101\">26<\/td>\n<td width=\"104\">2<\/td>\n<td width=\"157\">12<\/td>\n<td width=\"149\">14 (54%)<\/td>\n<td width=\"1\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"186\">Am\u00e9rica Latina (3)<\/td>\n<td width=\"101\">13<\/td>\n<td width=\"104\">1<\/td>\n<td width=\"157\">4<\/td>\n<td width=\"149\">5 (38%)<\/td>\n<td width=\"1\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"186\"><strong>Total<\/strong><\/td>\n<td width=\"101\"><strong>142<\/strong><\/td>\n<td width=\"104\"><strong>10<\/strong><\/td>\n<td width=\"157\"><strong>41<\/strong><\/td>\n<td width=\"149\"><strong>51 (36%)<\/strong><\/td>\n<td width=\"1\"><strong>\u00a0<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>* Mascaramento simples (10 estudos): mascaramento relatado de forma variada \u2013 maioria participantes ou avaliadores do desfecho; investigadores prim\u00e1rios em apenas um caso (mas quatro n\u00e3o declarados)<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Mascaramento duplo (17 estudos): quase sempre participantes, geralmente com investigadores prim\u00e1rios, mas \u00e0s vezes com avaliadores e ocasionalmente com cuidadores<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Mascaramento triplo (7 estudos): sempre participantes, quase sempre com investigadores e cuidadores<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Mascaramento qu\u00e1druplo (17 estudos): sempre participantes, investigadores, cuidadores e avaliadores<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tabela 2.<\/strong> Os n\u00fameros de estudos com mascaramento sobre remdesivir, tocilizumabe e corticoesteroides atualmente inclu\u00eddos em registros de ensaios cl\u00ednicos, embora nem todos estejam recrutando participantes.<\/p>\n<table>\n<tbody>\n<tr>\n<td><strong>Medicamento<\/strong><\/td>\n<td><strong>N\u00famero de ensaios<\/strong><\/td>\n<td width=\"104\"><strong>Mascaramento singular*<\/strong><\/td>\n<td width=\"123\"><strong>Mascaramento duplo, triplo ou qu\u00e1druplo<\/strong><\/td>\n<td><strong>N\u00famero total de ensaios com mascaramento (%)<\/strong><\/td>\n<td><strong>N\u00famero de pacientes a ser estudado em ensaios com mascaramento<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Remdesivir<\/td>\n<td>11<\/td>\n<td width=\"104\">1<\/td>\n<td width=\"123\">3<\/td>\n<td>4 (36%)<\/td>\n<td>2061\/22,437 (9.2%)<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Tocilizumabe<\/td>\n<td>34<\/td>\n<td width=\"104\">1<\/td>\n<td width=\"123\">4<\/td>\n<td>5 (15%)<\/td>\n<td>1590\/10,396 (15%)<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Corticoesteroides<strong>\u2020<\/strong><\/td>\n<td>49<\/td>\n<td width=\"104\">3<\/td>\n<td width=\"123\">9<\/td>\n<td>12 (24%)<\/td>\n<td>2636\/22.306 (12%)<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>*Excluindo estudos com mascaramento dos participantes apenas<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u2020Metilprednisolona (22), dexametasona (6), ciclesonida (6), prednisona ou prednisolona (5), budesonida (5), hidrocortisona (1), n\u00e3o identificado (4)<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 dif\u00edcil avaliar os protocolos registrados, pois diferentes registros relatam diferentes graus de mascaramento, mas est\u00e1 claro que os ensaios cl\u00ednicos mascarados s\u00e3o minorit\u00e1rios. Combinando os ensaios cl\u00ednicos dos quatro tipos de medicamentos, cerca de 120.000 indiv\u00edduos v\u00e3o participar de ensaios que provavelmente nos dar\u00e3o pouca ou nenhuma informa\u00e7\u00e3o \u00fatil, ou, pior ainda, informa\u00e7\u00f5es potencialmente enganosas, exemplificadas pela hidroxicloroquina, que se mostrou em um grande <a href=\"https:\/\/www.recoverytrial.net\/files\/hcq-recovery-statement-050620-final-002.pdf\/@@download\">ensaio<\/a> randomizado bem desenhado n\u00e3o ser diferente do placebo, podendo at\u00e9 ser prejudicial. Este \u00e9 um lapso \u00e9tico significativo, considerando que os participantes frequentemente concordam em se expor altruisticamente a riscos de danos a fim de ajudar a avan\u00e7ar a base de evid\u00eancias cl\u00ednicas. Por exemplo, em um <a href=\"https:\/\/link.springer.com\/article\/10.1007\/s00264-018-3890-2\">estudo<\/a> com 168 pacientes, 84% disseram que ficariam felizes em participar de pesquisas em ensaios cl\u00ednicos e 58% endossaram a afirma\u00e7\u00e3o &#8220;Eu acredito que os resultados poderiam ajudar outros pacientes no futuro&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em algumas institui\u00e7\u00f5es, a cloroquina ou a hidroxicloroquina foram consideradas como tratamento padr\u00e3o antes da obten\u00e7\u00e3o de evid\u00eancias. E alguns pesquisadores, a fim de evitar o uso de placebo, alocaram a um grupo controle aqueles que n\u00e3o consentiram em participar, introduzindo assim um vi\u00e9s de sele\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ensaios cl\u00ednicos anti\u00e9ticos<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aqui est\u00e3o algumas das formas pelas quais os ensaios podem ficar aqu\u00e9m do que se considera \u00e9tico:<\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Falha na randomiza\u00e7\u00e3o ou na manuten\u00e7\u00e3o do sigilo de aloca\u00e7\u00e3o durante o ensaio cl\u00ednico<\/li>\n<li>Falha no mascaramento\n<ul>\n<li>N\u00e3o mascarado<\/li>\n<li>Apenas paciente mascarado<\/li>\n<li>Alguns investigadores n\u00e3o mascarados<\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<li>Usar comparadores inadequados, por exemplo:\n<ul>\n<li>Escolhendo um comparador cuja efic\u00e1cia \u00e9 desconhecida<\/li>\n<li>Escolhendo um placebo quando h\u00e1 um tratamento efetivo reconhecido<\/li>\n<li>Escolhendo como comparador um tratamento efetivo em uma dosagem inadequada<\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<li>Alterar um protocolo pr\u00e9-especificado sem uma boa raz\u00e3o e sem explicar o motivo\n<ul>\n<li>Altera\u00e7\u00e3o do desfecho a ser relatado<\/li>\n<li>Altera\u00e7\u00e3o dos medicamentos utilizados<\/li>\n<li>Altera\u00e7\u00e3o dos regimes de dosagem<\/li>\n<li>Relatar an\u00e1lises estat\u00edsticas (por exemplo, an\u00e1lises de subgrupo) que n\u00e3o foram pr\u00e9-especificadas<\/li>\n<li>N\u00e3o incluir um comit\u00ea pr\u00e9-especificado de monitoramento de dados<\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<li>Encerrar prematuramente um ensaio cl\u00ednico sem uma boa raz\u00e3o<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ensaios com alto risco de vi\u00e9s devido a erros no desenho est\u00e3o falhando com os participantes desde o in\u00edcio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Os ensaios sem mascaramento podem ser \u00e9ticos?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A import\u00e2ncia do mascaramento foi destacada em uma\u00a0<a href=\"https:\/\/bmcmedresmethodol.biomedcentral.com\/articles\/10.1186\/s12874-018-0491-0\">revis\u00e3o<\/a> que mostrou que estudos que n\u00e3o mascaram tanto os participantes quanto os investigadores forneceram estimativas do tamanho do efeito do tratamento que foram, em m\u00e9dia, 19% maiores (IC 95% = 6-32%) do que as fornecidas pelos estudos mascarados. Outro estudo sugeriu que n\u00e3o havia diferen\u00e7a entre estudos mascarados e n\u00e3o mascarados, particularmente para desfechos objetivos; uma raz\u00e3o de raz\u00e3o de chances (ROR) abaixo de 1 sugeriu estimativas exageradas de efeitos em estudos sem mascaramento; os valores de ROR em diferentes an\u00e1lises pairavam em torno de 1, e, por exemplo, em 14 meta-an\u00e1lises com resultados relatados por observadores mascarados a ROR foi de 0,98 (Intervalo de credibilidade Bayesiano = 0,69 a 1,39). Os autores conclu\u00edram que seus resultados precisavam ser replicados e que, enquanto isso, os estudos deveriam continuar mascarados. Tamb\u00e9m foi <a href=\"https:\/\/www.bmj.com\/content\/368\/bmj.l6228?sso=\">argumentado<\/a> que o mascaramento nem sempre \u00e9 necess\u00e1rio e pode, em alguns casos, ser prejudicial, por exemplo, para desencorajar o recrutamento; isto \u00e9 uma boa pol\u00eamica, mas acreditamos que seja uma pr\u00e1tica ruim para tratar infec\u00e7\u00f5es agudas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A necessidade de ensaios cl\u00ednicos de alta qualidade<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todos n\u00f3s queremos claramente ser capazes de dar \u00e0queles que t\u00eam a doen\u00e7a hoje os benef\u00edcios de terapias efetivas. \u00c9 presumivelmente por isso que tantos pesquisadores pensam que \u00e9 aceit\u00e1vel fazer ensaios pequenos, abertos, randomizados ou n\u00e3o randomizados, comparativos ou apenas observa\u00e7\u00f5es sem controle de s\u00e9ries de casos, esperando por uma solu\u00e7\u00e3o r\u00e1pida. Mas os dados que surgiram e foram rapidamente publicados, incompletos e sem revis\u00e3o por pares, n\u00e3o ajudaram pacientes ou cl\u00ednicos. Alguns foram retirados\/removidos, mas n\u00e3o sem antes terem afetado a pr\u00e1tica cl\u00ednica. H\u00e1 v\u00e1rios problemas:<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li>A maioria dos ensaios cl\u00ednicos que foram publicados s\u00e3o inadequados, e os resultados n\u00e3o s\u00e3o confi\u00e1veis. Alguns ensaios iniciais, mal desenhados e muito pequenos sobre hidroxicloroquina,<a href=\"https:\/\/www.cebm.net\/covid-19\/hydroxychloroquine-for-covid-19-what-do-the-clinical-trials-tell-us\/\">por exemplo<\/a>, pareciam mostrar pequenos efeitos ben\u00e9ficos sobre a COVID-19, mas n\u00e3o relataram efeitos sobre a mortalidade ou eventos adversos. Em pelo menos dois casos, os ensaios foram realizados de forma bastante diferente do que havia sido especificado previamente nos protocolos, levantando d\u00favidas sobre os padr\u00f5es de pr\u00e1tica, relato e an\u00e1lise e aumentando a possibilidade de vieses.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por exemplo, em um\u00a0<a href=\"https:\/\/www.medrxiv.org\/content\/10.1101\/2020.03.22.20040758v3\">estudo<\/a>, as medidas de desfecho relatadas foram o tempo de recupera\u00e7\u00e3o cl\u00ednica, o tempo de recupera\u00e7\u00e3o da temperatura corporal e o tempo de remiss\u00e3o da tosse. Estes desfechos cl\u00ednicos n\u00e3o foram mencionados no protocolo. Nem os desfechos virol\u00f3gicos e hematol\u00f3gicos pr\u00e9-especificados foram mencionados no relato do estudo. Em um <a href=\"https:\/\/pubmed.ncbi.nlm.nih.gov\/32205204\/\">estudo<\/a> n\u00e3o randomizado e sem mascaramento, a forma\u00e7\u00e3o de um grupo controle a partir de pacientes que se recusaram a participar teria introduzido um vi\u00e9s de sele\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outros ensaios similarmente pobres sobre hidroxicloroquina n\u00e3o mostraram nenhum benef\u00edcio, deixando-nos perplexos, at\u00e9 que os resultados de um grande\u00a0<a href=\"https:\/\/www.recoverytrial.net\/files\/hcq-recovery-statement-050620-final-002.pdf\/@@download\">ensaio<\/a> bem desenhado mostraram clara evid\u00eancia de nenhuma efic\u00e1cia, e at\u00e9 mesmo uma poss\u00edvel tend\u00eancia a danos; a <em>hazard ratio<\/em> para aumento da mortalidade foi de 1,11 (IC 95% = 0,98-1,26; \u00a0p=0,10).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ensaios mal desenhados podem nos levar a acreditar que uma interven\u00e7\u00e3o \u00e9 ben\u00e9fica, fazendo-nos duvidar se ensaios bem desenhados teriam demonstrado nenhum benef\u00edcio, ou mesmo dano. Portanto, n\u00e3o podemos saber se beneficiaremos de alguma forma as pessoas ou talvez at\u00e9 mesmo prejudicaremos mais pessoas ao usar a interven\u00e7\u00e3o do que ao n\u00e3o us\u00e1-la.<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"2\">\n<li>Em alguns lugares, a hidroxicloroquina foi adotada precocemente como parte de um tratamento padr\u00e3o para COVID-19. Em alguns pa\u00edses, a hidroxicloroquina e o lopinavir\/ritonavir foram inclu\u00eddos precocemente como parte de um tratamento padr\u00e3o, para compara\u00e7\u00e3o com outros medicamentos n\u00e3o testados, muitas vezes em ensaios abertos (sem mascaramento). Os resultados de tais estudos ser\u00e3o imposs\u00edveis de interpretar sensatamente e n\u00e3o ser\u00e3o \u00fateis para decidir se os medicamentos em estudo s\u00e3o realmente efetivos e se o balan\u00e7o benef\u00edcio \u2013 dano \u00e9 favor\u00e1vel. A hidroxicloroquina j\u00e1 demonstrou ser ineficaz e possivelmente prejudicial.<\/li>\n<\/ol>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"3\">\n<li>Se uma interven\u00e7\u00e3o n\u00e3o funcionar ou, pior ainda, for prejudicial, teremos desperdi\u00e7ado o tempo tanto dos participantes quanto dos investigadores, possivelmente perdendo vidas por meio da interven\u00e7\u00e3o, quando poder\u00edamos estar fazendo ensaios controlados randomizados adequados. Os autores de uma avalia\u00e7\u00e3o dos desperd\u00edcios em pesquisa <a href=\"https:\/\/www.ncbi.nlm.nih.gov\/pmc\/articles\/PMC4372296\/\">conclu\u00edram<\/a> que &#8220;uma importante carga de pesquisa desperdi\u00e7ada est\u00e1 relacionada a m\u00e9todos inadequados&#8221;. Este desperd\u00edcio poderia ser parcialmente evitado atrav\u00e9s de ajustes simples e baratos&#8221;. \u00c9 um <a href=\"https:\/\/clinicalcenter.nih.gov\/recruit\/ethics.html\">princ\u00edpio<\/a> bem estabelecido que n\u00e3o \u00e9 \u00e9tico fazer ensaios com desperd\u00edcio. Embora as pessoas que participam de ensaios cl\u00ednicos bem desenhados possam n\u00e3o se beneficiar por terem feito isso, seu tempo n\u00e3o \u00e9 desperdi\u00e7ado, pois assim ajudam os outros.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">As 4-aminoquinolinas hidroxicloroquina\/cloroquina tamb\u00e9m se tornaram, sem d\u00favida, v\u00edtimas do \u201c<a href=\"https:\/\/catalogofbias.org\/biases\/hot-stuff-bias\/\">vi\u00e9s da moda<\/a>&#8220;, pois sua proemin\u00eancia na pol\u00edtica global e nas m\u00eddias sociais as colocou na vanguarda da agenda da pesquisa da COVID-19. Isto causou n\u00e3o apenas um influxo de ensaios de menor qualidade, mas uma supersatura\u00e7\u00e3o na quantidade de ensaios. A pesquisa sobre estes tratamentos \u00e9 muito mais extensa do que o necess\u00e1rio para avaliar com confian\u00e7a se existe algum benef\u00edcio terap\u00eautico ou profil\u00e1tico. Pesquisadores qualificados, centros de pesquisa adequados, participantes dispostos e financiamento para estudos s\u00e3o limites naturais para o n\u00famero de pesquisas que podem ser realizadas em qualquer momento; um n\u00famero excessivo de ensaios sobre um determinado tratamento &#8220;que est\u00e1 na moda&#8221; apresentaria um custo de oportunidade significativo para a comunidade de pesquisa global, desviando tempo e recursos que poderiam ser melhor utilizados investigando outros tratamentos promissores.<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"4\">\n<li>A publica\u00e7\u00e3o de um ensaio de m\u00e1 qualidade sobre uma droga, cujos resultados sugerem benef\u00edcios, pode desencorajar os investigadores de embarcar em ensaios rigorosos; ou pode encorajar o uso generalizado da droga, como aconteceu com a hidroxicloroquina. Isto pode dificultar o recrutamento em tais ensaios de participantes que nunca tenham usado a droga.<\/li>\n<\/ol>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"5\">\n<li>Enquanto isso, quando a m\u00eddia divulga que um novo medicamento \u00e9 ben\u00e9fico, o p\u00fablico em geral come\u00e7ar\u00e1 a procurar o tratamento. No in\u00edcio ouvimos falar de um <a href=\"https:\/\/www.nytimes.com\/2020\/03\/24\/us\/chloroquine-poisoning-coronavirus.html\">casal americano<\/a> que decidiu se tratar com cloroquina depois que seu presidente proclamou que ela seria efetiva. Eles tomaram uma formula\u00e7\u00e3o destinada \u00e0 limpeza de aqu\u00e1rios. O marido morreu e a esposa ficou gravemente doente. Mais tarde, a FDA considerou apropriado emitir um<a href=\"https:\/\/www.fda.gov\/safety\/medical-product-safety-information\/ivermectin-intended-animals-letter-stakeholders-do-not-use-humans-treatment-covid-19?utm_campaign=FDA%20MedWatch%20-%20Ivermectin%20Intended%20for%20Animals&amp;utm_medium=email&amp;utm_source=Eloqua\">alerta<\/a> ao p\u00fablico americano para n\u00e3o se precipitar e comprar ivermectina formulada para tratar infec\u00e7\u00f5es parasit\u00e1rias em animais, ap\u00f3s a publica\u00e7\u00e3o de um pr\u00e9-print descrevendo os efeitos da ivermectina sobre o SARS-CoV-2 em uma placa de Petri em laborat\u00f3rio.<\/li>\n<\/ol>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"6\">\n<li>A pressa em usar suprimentos de uma droga que est\u00e1 sendo usada para outros fins coloca em risco aqueles que fazem uso dela regularmente. A escassez de medicamentos, particularmente de hidroxicloroquina, foi <a href=\"https:\/\/pubmed.ncbi.nlm.nih.gov\/32482587\/\">relatada<\/a> durante a pandemia da COVID-19.<\/li>\n<\/ol>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"7\">\n<li>H\u00e1 tamb\u00e9m o risco de que ensaios cl\u00ednicos mal desenhados contribuam com metan\u00e1lises inapropriadas, onde conclus\u00f5es incorretas ser\u00e3o promulgadas. Por exemplo, uma <a href=\"https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/pii\/S2052297520300615?via%3Dihub\">alega\u00e7\u00e3o<\/a> de que a hidroxicloroquina \u00e9 ben\u00e9fica na Covid-19, com tamanhos de efeito relatados, foi baseada em uma metan\u00e1lise de uma combina\u00e7\u00e3o heterog\u00eanea de publica\u00e7\u00f5es, incluindo artigos publicados em revistas revisadas por pares, pr\u00e9-prints n\u00e3o revisados por pares, e artigos dispon\u00edveis na Internet, e numa compara\u00e7\u00e3o dos n\u00fameros de estudos aparentemente positivos e negativos, semelhante \u00e0 contagem de votos, e onde um tamanho de efeito n\u00e3o pode ser calculado corretamente.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>N\u00f3s precisamos de ensaios cl\u00ednicos bem desenhados<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00f3s estamos sob o dom\u00ednio do p\u00e2nico de curto prazo, nos esfor\u00e7ando para administrar a crise atual e perdendo de vista o futuro igualmente importante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A experi\u00eancia atual dos pacientes e os conhecimentos profissionais est\u00e3o sendo desperdi\u00e7ados. Estudos retrospectivos, e estudos observacionais complexos mal desenhados e utilizando t\u00e9cnicas estat\u00edsticas inadequadas para tentar mitigar ou disfar\u00e7ar defici\u00eancias inerentes a estudos n\u00e3o randomizados, podem n\u00e3o mostrar de forma convincente os benef\u00edcios ou danos de uma interven\u00e7\u00e3o, como a hidroxicloroquina, resultando em pequenos efeitos, se houver, e amplos intervalos de confian\u00e7a, seguidos de declara\u00e7\u00f5es banais de que s\u00e3o necess\u00e1rios ensaios controlados randomizados. Tais ensaios, no entanto, quando eventualmente s\u00e3o realizados, s\u00e3o muitas vezes de m\u00e1 qualidade, como j\u00e1 descrevemos aqui, e os resultados n\u00e3o s\u00e3o confi\u00e1veis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aqueles que ignoram, ou pior, depreciam\/condenam o uso de ensaios cl\u00ednicos com mascaramento, randomizados e cuidadosamente controlados, t\u00eam prejudicado nossa capacidade de tratar adequadamente os efeitos do coronav\u00edrus. Aqueles que est\u00e3o em condi\u00e7\u00f5es de fazer tais ensaios devem assegurar que eles sejam bem desenhados e que possam dar respostas confi\u00e1veis. Tais ensaios levam tempo para serem realizados; alguns est\u00e3o come\u00e7ando a relatar os resultados, mas outros n\u00e3o os relatar\u00e3o at\u00e9 que a epidemia atual tenha passado. Este \u00e9 o pre\u00e7o que pagamos por evid\u00eancias confi\u00e1veis. N\u00f3s devemos nos concentrar em encontrar tratamentos eficazes para aqueles que s\u00e3o afetados quando a pr\u00f3xima epidemia ocorrer, n\u00e3o procurando um remendo ineficaz e possivelmente prejudicial para aqueles que est\u00e3o sendo afetados atualmente, para os quais devemos fazer o melhor que pudermos com o que sabemos atualmente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um argumento padr\u00e3o quando as pol\u00edticas de curto prazo s\u00e3o criticadas \u00e9 a famosa observa\u00e7\u00e3o do economista John Maynard Keynes, de que no longo prazo estamos todos mortos, uma declara\u00e7\u00e3o de seu tratado <em>A Tract on Monetary Reform<\/em> (1923). O que Keynes quis dizer em termos econ\u00f4micos \u00e9 geralmente <a href=\"https:\/\/www.simontaylorsblog.com\/2013\/05\/05\/the-true-meaning-of-in-the-long-run-we-are-all-dead\/\">mal interpretado<\/a>. Entretanto, se n\u00e3o iniciarmos estudos mais bem desenhados n\u00e3o apenas das 4-aminoquinolinas, mas de todas as drogas que est\u00e3o sendo testadas recentemente no tratamento da Covid-19, podemos de fato estar todos mortos, mais cedo do que gostar\u00edamos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Conclus\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 2014, durante a epidemia do v\u00edrus Ebola, a OMS convocou um <a href=\"https:\/\/www.who.int\/csr\/resources\/publications\/ebola\/ethical-considerations\/en\/\">painel<\/a> &#8220;para considerar e avaliar as implica\u00e7\u00f5es \u00e9ticas para a tomada de decis\u00f5es cl\u00ednicas do uso de interven\u00e7\u00f5es n\u00e3o registradas que mostraram resultados promissores no laborat\u00f3rio e em modelos animais, mas que ainda n\u00e3o foram avaliadas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 seguran\u00e7a e efic\u00e1cia em humanos&#8221;. Eles conclu\u00edram que &#8220;os pesquisadores t\u00eam o dever moral de avaliar interven\u00e7\u00f5es n\u00e3o comprovadas (para tratamento ou preven\u00e7\u00e3o) em ensaios cl\u00ednicos com o melhor desenho poss\u00edvel nas circunst\u00e2ncias excepcionais atuais, &#8230; a fim de estabelecer a seguran\u00e7a e efic\u00e1cia das interven\u00e7\u00f5es ou de fornecer evid\u00eancias para interromper o seu uso&#8221;. Na nossa opini\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 barreiras, mesmo durante uma pandemia como a atual, para realizar &#8220;ensaios cl\u00ednicos que tenham o melhor desenho poss\u00edvel&#8221;, ou seja, ensaios duplamente mascarados, randomizados e controlados de qualquer agente, seja ele novo ou redirecionado, de prefer\u00eancia com um comparador placebo. <a href=\"https:\/\/pubmed.ncbi.nlm.nih.gov\/28663940\">Kirchoff &amp; Pierson<\/a>\u00a0deram bons exemplos de como isso foi feito com drogas em desenvolvimento em epidemias anteriores. E outros <a href=\"https:\/\/pubmed.ncbi.nlm.nih.gov\/20716744\">comentaram<\/a> que &#8220;grandes ensaios de longo prazo que estabelecem padr\u00f5es para tratamentos com drogas s\u00e3o t\u00e3o importantes para a sa\u00fade do p\u00fablico que todo esfor\u00e7o, incluindo o mascaramento do investigador, deve ser incorporado ao desenho do ensaio para produzir resultados v\u00e1lidos em estudos da mais alta confiabilidade e clara interpreta\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, fazemos eco aos gritos de batalha de eminentes trialistas e estat\u00edsticos:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-3487 size-full\" src=\"http:\/\/oxfordbrazilebm.com\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/img60_04.jpg\" alt=\"\" width=\"387\" height=\"76\" srcset=\"https:\/\/oxfordbrazilebm.com\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/img60_04.jpg 387w, https:\/\/oxfordbrazilebm.com\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/img60_04-300x59.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 387px) 100vw, 387px\" \/><\/p>\n<p>\u00a0[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text] 30 de junho de 2020 Jeffrey K Aronson, Nicholas DeVito, Robin E Ferner*\u2020, Kamal R Mahtani, David Nunan, Annette Pl\u00fcddemann Em nome da equipe do Oxford COVID-19 Evidence Service Team Centre for Evidence-Based Medicine, Nuffield Department of Primary Care Health Sciences University of OxfordCorrespond\u00eancia para jeffrey.aronson@phc.ox.ac.uk *Universidade de Birmingham \u2020University College London \u00a0 &nbsp;&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"footnotes":""},"class_list":["post-3483","page","type-page","status-publish","hentry","description-off"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/oxfordbrazilebm.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/3483","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/oxfordbrazilebm.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/oxfordbrazilebm.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/oxfordbrazilebm.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/oxfordbrazilebm.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3483"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/oxfordbrazilebm.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/3483\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3488,"href":"https:\/\/oxfordbrazilebm.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/3483\/revisions\/3488"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/oxfordbrazilebm.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3483"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}