{"id":2752,"date":"2020-05-12T03:58:11","date_gmt":"2020-05-12T02:58:11","guid":{"rendered":"http:\/\/oxfordbrazilebm.com\/?page_id=2752"},"modified":"2020-05-12T03:58:11","modified_gmt":"2020-05-12T02:58:11","slug":"quais-sao-as-evidencias-do-uso-de-antibioticos-macrolideos-para-tratar-covid-19","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/oxfordbrazilebm.com\/index.php\/quais-sao-as-evidencias-do-uso-de-antibioticos-macrolideos-para-tratar-covid-19\/","title":{"rendered":"Quais s\u00e3o as evid\u00eancias do uso de antibi\u00f3ticos macrol\u00eddeos para tratar COVID-19?"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><p>[vc_row][vc_column][vc_column_text]Tradutores:\u00a0Daniela Oliveira de Melo,\u00a0Primeiro revisor: Luis Eduardo Fontes<\/p>\n<hr \/>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">VEREDITO<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foram identificados tr\u00eas estudos, dois <em>in vitro<\/em> e um <em>in vivo<\/em>, avaliando o uso de antibi\u00f3ticos macrol\u00eddeos para o tratamento da COVID-19. Cada um destes estudos avaliou o tratamento com azitromicina. As evid\u00eancias do estudo <em>in vivo<\/em> e um estudo <em>in vitro<\/em> sugerem uma poss\u00edvel sinergia entre a azitromicina e a hidroxicloroquina. Entretanto, o estudo <em>in vivo<\/em> teve um pequeno n\u00famero de participantes e foi metodologicamente falho; portanto, os achados devem ser tratados com cautela. Os dois estudos <em>in vitro<\/em> apresentaram resultados conflitantes em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 atividade da azitromicina sozinha contra SRA-CoV-2; um estudo encontrou que a azitromicina sozinha tinha atividade contra o v\u00edrus, enquanto o outro observou atividade anti- SRA-CoV-2 somente quando a azitromicina foi combinada com a hidroxicloroquina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Atualmente, n\u00e3o h\u00e1 evid\u00eancias suficientes para recomendar o tratamento com macrol\u00eddeos, isoladamente ou combinados com hidroxicloroquina, para a COVID-19 fora do ambiente de pesquisa. Tanto os antibi\u00f3ticos macrol\u00eddeos quanto a hidroxicloroquina podem aumentar o intervalo QT; a combina\u00e7\u00e3o destes medicamentos pode, portanto, resultar em danos cardiovasculares. Cl\u00ednicos podem desejar usar antibi\u00f3ticos macrol\u00eddeos para tratar uma super-infec\u00e7\u00e3o bacteriana que tenha complicado a COVID-19, em linha com os protocolos de tratamento local\/nacional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enquanto novos tratamentos para COVID-19 est\u00e3o sendo desenvolvidos, tem havido interesse crescente na readequa\u00e7\u00e3o dos medicamentos existentes para a atual pandemia. Macrol\u00eddeos, uma classe de antibi\u00f3ticos usados para tratar infec\u00e7\u00f5es respirat\u00f3rias, gastrointestinais e cut\u00e2neas (1), t\u00eam sido considerados para esta abordagem. Os antibi\u00f3ticos macrol\u00eddeos incluem azitromicina, claritromicina, eritromicina e espiramicina (1). De acordo com uma pesquisa online com mais de 6.000 m\u00e9dicos em 30 pa\u00edses em mar\u00e7o de 2020 (2), a azitromicina foi o segundo tratamento mais comumente prescrito para COVID-19, e 41% dos entrevistados relataram que tinham prescrito azitromicina para COVID-19 ou que a tinham visto prescrita para esta indica\u00e7\u00e3o (3). Esta revis\u00e3o avalia as evid\u00eancias para a seguran\u00e7a e efic\u00e1cia do uso de macrol\u00eddeos para tratar COVID-19.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVID\u00caNCIA ATUAL<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">M\u00e9todos<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foram pesquisados PubMed, TRIP, EPPI COVID Living Map, MedRxiv, GoogleScholar e Google em 16 de abril de 2020. Inclu\u00edmos estudos <em>in vivo<\/em> avaliando a efic\u00e1cia e\/ou seguran\u00e7a dos antibi\u00f3ticos macrol\u00eddeos no tratamento de COVID-19. Para inclus\u00e3o, os estudos<em> in vivo <\/em>precisavam fornecer dados que permitissem a compara\u00e7\u00e3o de resultados entre pacientes que receberam e n\u00e3o receberam o tratamento em quest\u00e3o. Tamb\u00e9m inclu\u00edmos estudos <em>in vitro<\/em> que avaliaram a atividade dos macrol\u00eddeos contra a SRA-CoV-2.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Resultados<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foram identificados tr\u00eas estudos, dois <em>in vitro<\/em> e um <em>in vivo<\/em>, que foram eleg\u00edveis para esta revis\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estudos <em>In Vitro<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Andreania e colegas (9) avaliaram a atividade da azitromicina e hidroxicloroquina contra a SRA-CoV-2, e relataram seus achados em um <em>preprint<\/em>. Eles testaram a azitromicina em tr\u00eas concentra\u00e7\u00f5es diferentes (2, 5 e 10 \u00b5M) contra o v\u00edrus em duas multiplicidades de infec\u00e7\u00e3o (MOI \u2013 que \u00e9 a propor\u00e7\u00e3o de v\u00edrions em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s c\u00e9lulas hospedeiras). Os autores constataram que somente a azitromicina, em qualquer concentra\u00e7\u00e3o, n\u00e3o inibiu a replica\u00e7\u00e3o do v\u00edrus. Entretanto, este n\u00e3o foi o caso quando azitromicina e hidroxicloroquina foram combinadas. A um MOI baixo de 0,25 e quando azitromicina 5 ou 10 \u00b5M foi combinada com hidroxicloroquina 5 \u00b5M, e a um MOI alto (2,5) quando azitromicina 10 \u00b5M foi combinada com hidroxicloroquina 2 \u00b5M, a replica\u00e7\u00e3o viral foi inibida. Os autores relatam que as concentra\u00e7\u00f5es de ambos os medicamentos utilizados neste estudo s\u00e3o semelhantes \u00e0s concentra\u00e7\u00f5es que seriam encontradas nos pulm\u00f5es em humanos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Resultados contrastantes foram encontrados em um segundo estudo <em>in vitro<\/em> realizado por Touret et al (10), \u00a0publicado como <em>preprint<\/em>. Os autores avaliaram a capacidade <em>in vitro<\/em> de mais de 1.500 medicamentos, incluindo azitromicina, em \u00a0inibir a replica\u00e7\u00e3o viral em um MOI de 0,002. Verificaram que a azitromicna tinha uma concentra\u00e7\u00e3o efetiva m\u00e1xima-m\u00e9dia (EC50 &#8211; ou seja, a concentra\u00e7\u00e3o na qual o aumento do RNA viral \u00e9 inibido em 50%) de 2,12 \u00b5M e uma concentra\u00e7\u00e3o citot\u00f3xica (CC50 &#8211; ou seja, a concentra\u00e7\u00e3o que resulta em 50% de morte celular) de &gt;40 \u00b5M. A azitromicina foi seletiva para o v\u00edrus ao inv\u00e9s de c\u00e9lulas hospedeiras. Portanto, os autores conclu\u00edram que a azitromicina poderia ser um medicamento candidato ao tratamento de COVID-19.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estudos <em>In Vivo<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi identificado um estudo comparativo que era adequado para inclus\u00e3o. Reportado em um <em>preprint<\/em>, um estudo franc\u00eas de Gautret et al (11), avaliou os resultados cl\u00ednicos de 20 pacientes com suspeita de COVID-19 que foram tratados com hidroxicloroquina (200mg TDS por dez dias). Destes 20 pacientes, seis receberam adicionalmente azitromicina para prevenir a superinfec\u00e7\u00e3o bacteriana. Os pacientes que receberam o tratamento combinado tiveram ECG di\u00e1rios (500mg no primeiro dia, depois 250mg di\u00e1rios por quatro dias) para garantir que o intervalo QT n\u00e3o fosse prolongado. Eles compararam os resultados cl\u00ednicos dos pacientes nos bra\u00e7os de interven\u00e7\u00e3o com os de 16 casos de controle. Ressalta-se que os pacientes do grupo controle eram pacientes que haviam se recusado a participar, ou n\u00e3o eram eleg\u00edveis a participar do estudo. Os pesquisadores descobriram que aqueles pacientes que receberam uma combina\u00e7\u00e3o de hidroxicloroquina e azitromicina tinham uma probabilidade significativamente maior de testar negativo para SRA-CoV-2 nos dias 3 a 6, em compara\u00e7\u00e3o com os pacientes que receberam apenas hidroxicloroquina. No 6\u00ba dia, 100% dos pacientes do grupo combinado hidroxicloroquina e azitromicina foram curados virologicamente; isto foi significativamente maior do que nos pacientes que receberam apenas hidroxicloroquina (57,1%) (p&lt;0,001). Os pesquisadores argumentam que isto sugere uma sinergia entre a azitromicina e a hidroxicloroquina. Os autores n\u00e3o relataram nenhum dado de seguran\u00e7a, afirmando que este seria publicado separadamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Limita\u00e7\u00f5es dos Estudos Identificados<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foram identificados apenas estudos avaliando a azitromicina; n\u00e3o est\u00e1 claro se algum efeito potencial da azitromicina seria generaliz\u00e1vel a outros antibi\u00f3ticos macrol\u00eddeos. Al\u00e9m disso, n\u00e3o identificamos nenhum estudo eleg\u00edvel avaliando a efic\u00e1cia dos macrol\u00eddeos como tratamento aut\u00f4nomo; quaisquer poss\u00edveis efeitos desses medicamentos podem, portanto, depender da co-administra\u00e7\u00e3o com hidroxicloroquina. Todos os tr\u00eas estudos inclu\u00eddos foram publicados <em>preprints<\/em>; estes estudos ainda n\u00e3o foram aceitos para publica\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s de um processo de revis\u00e3o por pares e os resultados devem, portanto, ser tratados com cautela. Durante nossa revis\u00e3o bibliogr\u00e1fica, n\u00e3o identificamos nenhum estudo avaliando o perfil de seguran\u00e7a dos macrol\u00eddeos no contexto do tratamento de COVID-19; a seguran\u00e7a destes medicamentos neste contexto \u00e9, portanto, desconhecida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os estudos <em>in vitro<\/em> nunca podem reproduzir completamente as condi\u00e7\u00f5es encontradas no corpo humano. Como resultado, a atividade antiviral da azitromicina relatada nos estudos <em>in vitro<\/em> pode n\u00e3o refletir a atividade da azitromicina in vivo. \u00c9 importante notar que Andreania e colegas relatam que as concentra\u00e7\u00f5es do medicamento utilizado foram semelhantes \u00e0s encontradas nos pulm\u00f5es humanos, talvez alinhando um pouco mais as condi\u00e7\u00f5es do estudo com as encontradas <em>in vivo<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os achados dos estudos <em>in vitro<\/em> foram conflitantes; Touret et al. descobriram que somente a azitromicina inibiu a replica\u00e7\u00e3o do SRA-CoV-2, enquanto Andreania descobriu que a atividade antiviral da azitromicina era dependente da co-administra\u00e7\u00e3o com a hidroxicloroquina. O MOI utilizado por Touret e colegas foi 100 vezes menor que o utilizado por Andreania et al, o que pode explicar a diferen\u00e7a em seus achados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As limita\u00e7\u00f5es metodol\u00f3gicas do estudo de Gautret et al j\u00e1 foram discutidas anteriormente (12). O estudo incluiu um pequeno n\u00famero de participantes e n\u00e3o obteve poder amostral, o que pode levar a resultados falso positivos (13). Este foi um estudo n\u00e3o randomizado; a falta de randomiza\u00e7\u00e3o pode introduzir vi\u00e9s de aloca\u00e7\u00e3o. Isto talvez seja destacado pelo relato pouco claro dos crit\u00e9rios cl\u00ednicos utilizados pelos autores para decidir quais pacientes receberam azitromicina, al\u00e9m da hidroxicloroquina. Al\u00e9m disso, um dos seis doentes que receberam azitromicina\/hidroxicloroquina testou positivo para a SRA-CoV-2 no 8\u00ba dia, tendo previamente testado negativo. Isto destaca poss\u00edveis falhas no teste utilizado, e a necessidade de relatar dados de acompanhamento a m\u00e9dio e longo prazo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>MECANISMO DE A\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Existem diferentes teorias para o poss\u00edvel mecanismo de a\u00e7\u00e3o dos macrol\u00eddeos contra o SRA-CoV-2. Em um estudo <em>in vitro<\/em> relatado em um <em>preprint<\/em>, Poschet et al (14) descobriram que o tratamento das c\u00e9lulas epiteliais br\u00f4nquicas prim\u00e1rias FC com azitromicina a uma concentra\u00e7\u00e3o de 100 \u00b5M por 1 hora, ou 1 \u00b5M por 48 horas, levou a um aumento no pH da rede trans-Golgi de 6,1+\/-0,2 para 6,7+\/-0,1. O tratamento das mesmas c\u00e9lulas com azitromicina 100 \u00b5M por 1 hora levou a um aumento do pH do endossoma de reciclagem de 6,1+\/-0,1 para 6,7+\/-0,2. Tanto a rede Golgi quanto o endossomo reciclado desempenham pap\u00e9is importantes no acondicionamento de prote\u00ednas em ves\u00edculas destinadas \u00e0 secre\u00e7\u00e3o, processo que \u00e9 explorado por v\u00edrus para facilitar sua replica\u00e7\u00e3o e dissemina\u00e7\u00e3o. A altera\u00e7\u00e3o do pH destas organelas pode, portanto, interferir nestas atividades virais intracelulares. Os autores tamb\u00e9m argumentam que o pH elevado da rede trans-Golgi pode alterar a glicosila\u00e7\u00e3o do receptor da enzima conversora da angiotensina 2 (ACE 2), uma enzima de superf\u00edcie celular \u00e0 qual acredita-se que o SAS-CoV-2 se liga. A glicosila\u00e7\u00e3o do receptor pode, portanto, inibir a liga\u00e7\u00e3o do SAS-CoV-2 \u00e0s c\u00e9lulas hospedeiras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Poschet et al descobriram que a incuba\u00e7\u00e3o de c\u00e9lulas IB3-1 FC com 100 \u00b5M de azitromicina levou a uma redu\u00e7\u00e3o significativa nos n\u00edveis de uma enzima chamada Furin (p&lt; 0,01) (14). Acredita-se que o SRA-CoV-2 possui um local de clivagem tipo furina na prote\u00edna spike (15), a prote\u00edna que facilita a entrada do v\u00edrus nas c\u00e9lulas hospedeiras. \u00c9 poss\u00edvel que a azitromicina interfira com a clivagem da prote\u00edna do pico, impedindo a entrada viral nas c\u00e9lulas hospedeiras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Acredita-se que os antibi\u00f3ticos macrol\u00eddeos reduzam a produ\u00e7\u00e3o de citocinas pr\u00f3-inflamat\u00f3rias, como a Interleucina-6 e o TNF-alfa (4). Poschet et al tamb\u00e9m descobriram que o tratamento de c\u00e9lulas FC com 1 a 100 \u00b5M de Azitromicina reduziu os n\u00edveis basais da secre\u00e7\u00e3o de IL-8 (14). Macrol\u00eddeos podem, portanto, reduzir o estado pr\u00f3-inflamat\u00f3rio induzido pela infec\u00e7\u00e3o pelo SRA-CoV-2, o que pode, em \u00faltima inst\u00e2ncia, levar \u00e0 s\u00edndrome de desconforto respirat\u00f3rio agudo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EFEITOS ADVERSOS DOS MACROL\u00cdDEOS<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os efeitos adversos comumente relacionados aos antibi\u00f3ticos macrol\u00eddeos incluem transtornos gastrointestinais, tonteiras, dor de cabe\u00e7a, defici\u00eancia auditiva, ins\u00f4nia, dist\u00farbios visuais e rea\u00e7\u00f5es cut\u00e2neas (16). \u00c9 incomum que esses medicamentos possam estar associados ao prolongamento do intervalo QT, entre outros efeitos adversos (16). Cuidados devem ser tomados se macrol\u00eddeos forem prescritos a pacientes que possam estar predispostos ao prolongamento do intervalo QT (16). Al\u00e9m disso, a azitromicina deve ser usada com cuidado, ou evitada completamente, em pacientes com insufici\u00eancia renal ou hep\u00e1tica grave (16).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A partir das evid\u00eancias identificadas nesta revis\u00e3o, n\u00e3o sabemos se o perfil de efeitos adversos dos macrol\u00eddeos \u00e9 diferente quando utilizados no contexto da COVID-19.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pesquisas recentes t\u00eam avaliado os efeitos adversos causados pela combina\u00e7\u00e3o de azitromicina e hidroxicloroquina. Uma an\u00e1lise dos prontu\u00e1rios m\u00e9dicos de 956.374 pacientes identificou um risco significativamente aumentado de mortalidade cardiovascular, dor tor\u00e1cica e insufici\u00eancia card\u00edaca em pacientes que foram tratados com azitromicina e hidroxicloroquina em compara\u00e7\u00e3o com a hidroxicloroquina isoladamente (17). Estes achados n\u00e3o s\u00e3o espec\u00edficos para o contexto da doen\u00e7a COVID-19, mas indicam que eventos cardiovasculares adversos s\u00e3o mais prov\u00e1veis quando a hidroxicloroquina e a azitromicina s\u00e3o combinadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONCLUS\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma vez que muitos cl\u00ednicos j\u00e1 est\u00e3o usando macrol\u00eddeos para tratar a COVID-19 de forma <em>off-label<\/em>, sem recorrer a provas s\u00f3lidas de seguran\u00e7a ou efic\u00e1cia, h\u00e1 uma necessidade urgente de ensaios cl\u00ednicos bem conduzidos e randomizados nesta \u00e1rea. O ideal \u00e9 que esses ensaios sejam duplamente cegos e que garantam a coleta e o relato dos dados de seguran\u00e7a. Os resultados de tais estudos ajudar\u00e3o a orientar a pr\u00e1tica cl\u00ednica durante esta pandemia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como a hidroxicloroquina e os antibi\u00f3ticos macrol\u00eddeos podem prolongar o intervalo QT, a combina\u00e7\u00e3o destes tratamentos aumenta este risco. N\u00e3o foram identificadas evid\u00eancias rigorosas da efic\u00e1cia desta combina\u00e7\u00e3o e n\u00e3o identificamos dados de seguran\u00e7a avaliando este tratamento combinado para a COVID-19. Aconselha-se extrema cautela aos cl\u00ednicos que adotam esta abordagem fora dos estudos de pesquisa. N\u00e3o foi identificado nenhum estudo que avaliasse o uso de macrol\u00eddeos como tratamento aut\u00f4nomo e, portanto, os autores foram incapazes de determinar a seguran\u00e7a ou efic\u00e1cia dos macrol\u00eddeos isoladamente como tratamento para a COVID-19. Entretanto, no contexto de uma suspeita de infec\u00e7\u00e3o bacteriana que tenha complicado a COVID-19, reconhecem que os cl\u00ednicos podem desejar prescrever antibi\u00f3ticos macrol\u00eddeos, de acordo com suas diretrizes antimicrobianas locais\/nacionais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Aviso:<\/strong> Este artigo n\u00e3o foi revisado por pares; n\u00e3o deve substituir o julgamento cl\u00ednico individual e as fontes citadas devem ser verificadas. As opini\u00f5es expressas neste coment\u00e1rio representam as opini\u00f5es dos autores e n\u00e3o necessariamente as da institui\u00e7\u00e3o anfitri\u00e3, do NHS, do NIHR, ou do Departamento de Sa\u00fade e Assist\u00eancia Social. Os pontos de vista n\u00e3o s\u00e3o um substituto para o aconselhamento m\u00e9dico profissional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>AUTORES<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dr Kome Gbinigie MA(Cantab), MB BChir, MRCGP, DRCOG, DfSRH, PGCert(Pesquisa em Sa\u00fade)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Kome \u00e9 Cl\u00ednica Geral e pesquisadora de doutorado do Departamento de Ci\u00eancias da Sa\u00fade da Universidade de Oxford, em Nuffield.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E-mail do autor correspondente: Oghenekome.gbinigie@phc.ox.ac.uk<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dr Kerstin Frie BSc, MSc, DPhil(Oxon)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Kerstin \u00e9 pesquisadora de p\u00f3s-doutorado na equipe de Comportamentos em Sa\u00fade do Departamento de Ci\u00eancias da Sa\u00fade da Aten\u00e7\u00e3o Prim\u00e1ria de Nuffield, Universidade de Oxford<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>AGRADECIMENTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Gostar\u00edamos de agradecer a Nia Roberts pela sua ajuda com os termos de busca para as buscas na base de dados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>TERMOS DE BUSCA<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">PubMed: (coronavirus*[Title] OR coronovirus*[Title] OR coronoravirus*[Title] OR coronaravirus*[Title] OR corono-virus*[Title] OR corona-virus*[Title] OR \u201cCoronavirus\u201d[Mesh] OR \u201cCoronavirus Infections\u201d[Mesh] OR \u201cWuhan coronavirus\u201d [Supplementary Concept] OR &amp;quot;Severe Acute Respiratory Syndrome Coronavirus 2&amp;quot;[Supplementary Concept] OR COVID-19[All Fields] OR CORVID-19[All Fields] OR \u201c2019nCoV\u201d[All Fields] OR \u201c2019-nCoV\u201d[All Fields] OR WN-CoV[All Fields] OR nCoV[All Fields] OR \u201cSARS-CoV-2\u201d[All Fields] OR HCoV-19[All Fields] OR \u201cnovel coronavirus\u201d[All Fields]) AND (macrolide* OR azithromycin OR spiramycin OR clarithromycin OR erythromycin OR antibiotic*)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Trip: (coronavirus OR covid-19) AND (macrolide* OR azithromycin OR spiramycin OR clarithromycin OR erythromycin)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Medrxiv: (coronavirus OR covid-19 OR \u201cSARS-CoV-2\u201d) AND (macrolide* OR azithromycin OR clarithromycin OR erythromycin OR antibiotic*)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Google Scholar: (coronavirus OR covid-19 OR 2019 nCoV OR 2019-nCov OR WN-cov OR nCoV OR SARS-CoV-2 OR HCov-19) AND (macrolide* OR azithromycin OR spiramycin OR clarithromycin OR erythromycin OR antibiotic*)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Google: (coronavirus OR covid 19 OR SARS-CoV-2) AND (macrolide* OR azithromycin OR clarithromycin OR erythromycin OR spiramycin)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>REFER\u00caNCIAS<\/strong><\/p>\n<ol>\n<li>British National Formulary. Macrolides Overview [Available from:\u00a0<a href=\"https:\/\/bnf.nice.org.uk\/treatment-summary\/macrolides.html\">https:\/\/bnf.nice.org.uk\/treatment-summary\/macrolides.html<\/a>.<\/li>\n<li>Sermo. Sermo Methodology [Available from:\u00a0<a href=\"https:\/\/www.sermo.com\/methodology\/\">https:\/\/www.sermo.com\/methodology\/<\/a>.<\/li>\n<li>Sermo. Breaking Results: Sermo\u2019s COVID-19 Real Time Barometer Study. Wave I: March 25th \u2013 27th. 2020 [Available from:\u00a0<a href=\"https:\/\/public-cdn.sermo.com\/covid19\/c8\/be4e\/4edbd4\/dbd4ba4ac5a3b3d9a479f99cc5\/wave-i-sermo-covid-19-global-analysis-final.pdf\">https:\/\/public-cdn.sermo.com\/covid19\/c8\/be4e\/4edbd4\/dbd4ba4ac5a3b3d9a479f99cc5\/wave-i-sermo-covid-19-global-analysis-final.pdf<\/a>.<\/li>\n<li>Min JY, Jang YJ. Macrolide therapy in respiratory viral infections. Mediators Inflamm. 2012;2012:649570.<\/li>\n<li>Miyamoto D, Hasegawa S, Sriwilaijaroen N, Yingsakmongkon S, Hiramatsu H, Takahashi T, et al. Clarithromycin inhibits progeny virus production from human influenza virus-infected host cells. Biol Pharm Bull. 2008;31(2):217-22.<\/li>\n<li>Tran DH, Sugamata R, Hirose T, Suzuki S, Noguchi Y, Sugawara A, et al. Azithromycin, a 15-membered macrolide antibiotic, inhibits influenza A(H1N1)pdm09 virus infection by interfering with virus internalization process. J Antibiot (Tokyo). 2019;72(10):759-68.<\/li>\n<li>Bosseboeuf E, Aubry M, Nhan T, Pina J, Rolain J, Raoult D, et al. Azithromycin Inhibits the Replication of Zika Virus. J Antivir Antiretrovir. 2018;10:6-11.<\/li>\n<li>Arabi YM, Deeb AM, Al-Hameed F, Mandourah Y, Almekhlafi GA, Sindi AA, et al. Macrolides in critically ill patients with Middle East Respiratory Syndrome. Int J Infect Dis. 2019;81:184-90.<\/li>\n<li>Andreania J, Le Bideaua M, Duflota I, Jardota P, Rollanda C, Boxbergera M, et al. In vitro testing of Hydroxychloroquine and Azithromycin on SARS-CoV-2 shows 1 synergistic effect 2. lung. 2020;21:22.<\/li>\n<li>Touret F, Gilles M, Barral K, Nougair\u00e8de A, Decroly E, de Lamballerie X, et al. In vitro screening of a FDA approved chemical library reveals potential inhibitors of SARS-CoV-2 replication. bioRxiv. 2020.<\/li>\n<li>Gautret P, Lagier J-C, Parola P, Meddeb L, Mailhe M, Doudier B, et al. Hydroxychloroquine and azithromycin as a treatment of COVID-19: results of an open-label non-randomized clinical trial. International journal of antimicrobial agents. 2020:105949.<\/li>\n<li>Gbinigie K, Frie K. Should chloroquine and hydroxychloroquine be used to treat COVID-19? A rapid review. BJGP open. 2020.<\/li>\n<li>Dumas-Mallet E, Button KS, Boraud T, Gonon F, Munafo MR. Low statistical power in biomedical science: a review of three human research domains. R Soc Open Sci. 2017;4(2):160254.<\/li>\n<li>Poschet J, Perkett E, Timmins G, Deretic V. Azithromycin and ciprofloxacin have a chloroquine-like effect on respiratory epithelial cells. bioRxiv. 2020.<\/li>\n<li>Coutard B, Valle C, de Lamballerie X, Canard B, Seidah NG, Decroly E. The spike glycoprotein of the new coronavirus 2019-nCoV contains a furin-like cleavage site absent in CoV of the same clade. Antiviral Res. 2020;176:104742.<\/li>\n<li>British National Formulary. Azithromycin [Available from:\u00a0<a href=\"https:\/\/bnf.nice.org.uk\/drug\/azithromycin.html\">https:\/\/bnf.nice.org.uk\/drug\/azithromycin.html<\/a>.<\/li>\n<li>Lane JC, Weaver J, Kostka K, Duarte-Salles T, Abrahao MTF, Alghoul H, et al. Safety of hydroxychloroquine, alone and in combination with azithromycin, in light of rapid wide-spread use for COVID-19: a multinational, network cohort and self-controlled case series study. medRxiv. 2020.<\/li>\n<\/ol>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Link para o original: <\/strong><a href=\"https:\/\/www.cebm.net\/covid-19\/what-is-the-evidence-for-use-of-macrolide-antobiotics-for-treatmetnof-covid-19\/\">https:\/\/www.cebm.net\/covid-19\/what-is-the-evidence-for-use-of-macrolide-antobiotics-for-treatmetnof-covid-19\/<\/a>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text]Tradutores:\u00a0Daniela Oliveira de Melo,\u00a0Primeiro revisor: Luis Eduardo Fontes &nbsp; VEREDITO Foram identificados tr\u00eas estudos, dois in vitro e um in vivo, avaliando o uso de antibi\u00f3ticos macrol\u00eddeos para o tratamento da COVID-19. Cada um destes estudos avaliou o tratamento com azitromicina. 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