{"id":2702,"date":"2020-05-08T23:09:55","date_gmt":"2020-05-08T22:09:55","guid":{"rendered":"http:\/\/oxfordbrazilebm.com\/?page_id=2702"},"modified":"2020-05-08T23:12:43","modified_gmt":"2020-05-08T22:12:43","slug":"que-condicoes-poderiam-ser-priorizadas-no-contexto-da-atencao-primaria-a-saude-para-reduzir-as-internacoes-hospitalares-nao-relacionadas-a-covid","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/oxfordbrazilebm.com\/index.php\/que-condicoes-poderiam-ser-priorizadas-no-contexto-da-atencao-primaria-a-saude-para-reduzir-as-internacoes-hospitalares-nao-relacionadas-a-covid\/","title":{"rendered":"Que condi\u00e7\u00f5es poderiam ser priorizadas no contexto da aten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria \u00e0 sa\u00fade para reduzir as interna\u00e7\u00f5es hospitalares n\u00e3o relacionadas \u00e0 COVID?"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><p>[vc_row][vc_column][vc_column_text]Tradutores:\u00a0Daniela Oliveira de Melo, Maria Regina Torloni<\/p>\n<hr \/>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Parecer<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta revis\u00e3o r\u00e1pida concluiu que interven\u00e7\u00f5es direcionadas para influenza, DPOC, ICC, diabetes, ITU e celulite deveriam ser identificadas para aumentar o manejo desses casos na aten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria a sa\u00fade. Isto poderia manter as pessoas bem e teria o potencial de reduzir interna\u00e7\u00f5es hospitalares evit\u00e1veis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os autores sugerem a realiza\u00e7\u00e3o de uma s\u00e9rie de revis\u00f5es r\u00e1pidas para identificar as interven\u00e7\u00f5es existentes e eficazes para DPOC, ICC, diabetes e asma, e que poderiam ser adaptadas e implementadas rapidamente, na aten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Racional para esta revis\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A demanda hospitalar devido \u00e0 pandemia da COVID-19 est\u00e1 aumentando e as interna\u00e7\u00f5es relacionadas \u00e0 SARS-COV-2 pressionam o sistema de sa\u00fade. Muitos pa\u00edses t\u00eam se preparado para o aumento da demanda, reduzindo as interna\u00e7\u00f5es hospitalares eletivas para liberar leitos para pacientes com COVID-19. Por\u00e9m, os hospitais ainda t\u00eam que lidar com as interna\u00e7\u00f5es n\u00e3o planejadas de pacientes sem COVID, algumas das quais poderiam ser evitadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se as interna\u00e7\u00f5es n\u00e3o planejadas pudessem ser reduzidas com seguran\u00e7a atrav\u00e9s de atividades e servi\u00e7os direcionados de cuidados comunit\u00e1rios e da aten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria, isso ajudaria a reduzir a press\u00e3o por leitos e por profissionais de sa\u00fade, permitindo um maior foco nos pacientes com COVID-19. Isso tamb\u00e9m poderia ajudar a proteger pacientes com doen\u00e7as cr\u00f4nicas e agudas da exposi\u00e7\u00e3o a este novo coronav\u00edrus, mantendo-os fora do hospital. Se for comprovado que suas doen\u00e7as podem ser manejadas de forma segura na comunidade, isso tamb\u00e9m pode trazer seguran\u00e7a para os pacientes que n\u00e3o est\u00e3o sendo encaminhados para hospitais neste momento. Talvez estas estrat\u00e9gias resultem em pr\u00e1ticas duradouras para quando a transmiss\u00e3o da Covid19 tiver diminu\u00eddo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Pergunta abordada nesta revis\u00e3o r\u00e1pida<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A equipe do <em>Oxford COVID-19 Evidence Service<\/em> coletou uma s\u00e9rie de perguntas de cl\u00ednicos gerais (CGs) do Reino Unido que, entre outras coisas, queriam saber: <em>quais grupos populacionais\/condi\u00e7\u00f5es m\u00f3rbidas devemos priorizar\/centrar nossas aten\u00e7\u00f5es para que fiquem bem e assim evitar as interna\u00e7\u00f5es de pacientes sem COVID<\/em>? Esta \u00e9 uma pergunta complexa que exigiria diferentes tipos de evid\u00eancias para identificar as comorbidades que levam a interna\u00e7\u00f5es e as diferentes popula\u00e7\u00f5es afetadas. E leva naturalmente \u00e0 pergunta sobre quais interven\u00e7\u00f5es s\u00e3o efetivas para prevenir essas interna\u00e7\u00f5es. Portanto dividimos a pergunta inicial em uma s\u00e9rie de perguntas que poderiam ser respondidas sequencialmente em revis\u00f5es r\u00e1pidas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta revis\u00e3o r\u00e1pida aborda a primeira destas quest\u00f5es<strong>: <em>Quais s\u00e3o as doen\u00e7as que mais frequentemente levam a interna\u00e7\u00f5es hospitalares n\u00e3o planejadas potencialmente evit\u00e1veis, e que s\u00e3o manej\u00e1veis na aten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria?<\/em><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Abordagem adotada<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Conceitualmente, as interna\u00e7\u00f5es hospitalares evit\u00e1veis podem ser divididas em tr\u00eas \u00e1reas principais: preven\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria (por exemplo, vacina\u00e7\u00e3o); diagn\u00f3stico e tratamento precoce de novas doen\u00e7as (por exemplo, diabetes); monitoramento, controle e tratamento imediato, se houver piora, de doen\u00e7as existentes (por exemplo, insufici\u00eancia card\u00edaca). Tem havido muitas discuss\u00f5es sobre quais interna\u00e7\u00f5es hospitalares n\u00e3o planejadas s\u00e3o verdadeiramente evit\u00e1veis. Para assegurar a comparabilidade entre estudos e pa\u00edses, nos \u00faltimos anos o foco tem sido, portanto, <strong><em>em doen\u00e7as sens\u00edveis \u00e0 aten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria<\/em><\/strong> (DSAP) (1), embora seja reconhecido que nem todas as interna\u00e7\u00f5es por DSAP s\u00e3o evit\u00e1veis ou pass\u00edveis de preven\u00e7\u00e3o. As principais DSAPs que levam a interna\u00e7\u00f5es hospitalares evit\u00e1veis podem ser classificados como: cr\u00f4nicas (doen\u00e7a pulmonar obstrutiva cr\u00f4nica (DPOC), complica\u00e7\u00f5es do diabetes, asma, hipertens\u00e3o, defici\u00eancia de ferro, insufici\u00eancia card\u00edaca congestiva, angina, defici\u00eancias nutricionais), agudas (infec\u00e7\u00f5es de ouvido, nariz e garganta, convuls\u00f5es e epilepsia, celulite, pielonefrite, gangrena, problemas dent\u00e1rios, desidrata\u00e7\u00e3o e gastroenterite, doen\u00e7a inflamat\u00f3ria p\u00e9lvica, \u00falcera perfurada\/hemorr\u00e1gica) e doen\u00e7as para as quais existem vacinas (gripe e pneumonia e outras condi\u00e7\u00f5es evit\u00e1veis com vacinas).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por raz\u00f5es pragm\u00e1ticas, nesta revis\u00e3o r\u00e1pida as DSAP s\u00e3o usadas como uma medida proxy para as condi\u00e7\u00f5es potencialmente evit\u00e1veis que podem ser tratadas no contexto da aten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria ou comunidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVID\u00caNCIA ATUAL<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Buscamos as evid\u00eancias mais recentes sobre DSAP em pa\u00edses com grande presta\u00e7\u00e3o de cuidados prim\u00e1rios e um sistema nacional de sa\u00fade, a saber, o Servi\u00e7o Nacional de Sa\u00fade ingl\u00eas, Austr\u00e1lia, Nova Zel\u00e2ndia, Canad\u00e1, Holanda e Espanha. As evid\u00eancias mais recentes e confi\u00e1veis vieram de dados nacionais sobre cuidados secund\u00e1rios da Inglaterra, Austr\u00e1lia, Nova Zel\u00e2ndia e Espanha e de dois estudos revisados por pares que usaram dados canadenses e holandeses. Devido \u00e0s limita\u00e7\u00f5es lingu\u00edsticas da equipe, avaliamos apenas os dados dos estudos escritos em idiomas com os quais a equipe tinha familiaridade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Durante o processo de coleta de dados, obtivemos contribui\u00e7\u00f5es dos seguintes cl\u00ednicos:\u00a0 professor Jon Emery, professora Lena Sanci, professora associada Jo-Anne Manski-Nankervis, e professor associado John Furler.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tabela 1. <\/strong>Resumo do conjunto de evid\u00eancias<\/p>\n<table>\n<tbody>\n<tr>\n<td width=\"109\"><\/td>\n<td width=\"457\"><strong>Descri\u00e7\u00e3o<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"109\"><strong>Volume<\/strong><\/td>\n<td width=\"457\">4 relat\u00f3rios utilizando conjuntos de dados nacionais recentes sobre a DSAP<\/p>\n<p>2 estudos de coorte<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"109\"><strong>Qualidade<\/strong><\/td>\n<td width=\"457\">An\u00e1lise detalhada dos dados nacionais utilizando estat\u00edsticas de epis\u00f3dios hospitalares. Dados da Inglaterra e Nova Zel\u00e2ndia t\u00e3o recentes quanto 2019. Dados da Austr\u00e1lia e Espanha de 2017. Dados do Canad\u00e1de de 2011. Dados da Holanda de 2014.<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"109\"><strong>Aplicabilidade<\/strong><\/td>\n<td width=\"457\">Os conjuntos de dados e estudos s\u00e3o provenientes de sistemas com forte atua\u00e7\u00e3o em aten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria e de cuidados de sa\u00fade nacionalizados. Entretanto, eles s\u00e3o de pa\u00edses de maior renda e predominam os pa\u00edses angl\u00f3fonos<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"109\"><strong>Consist\u00eancia<\/strong><\/td>\n<td width=\"457\">Os achados mostram consist\u00eancia entre os conjuntos de dados quanto \u00e0s principais interna\u00e7\u00f5es hospitalares n\u00e3o planejadas para as doen\u00e7as agudas e cr\u00f4nicas, e vacina\u00e7\u00f5es.<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVID\u00caNCIAS EMERGENTES NA COVID-19<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><u>Principais conclus\u00f5es<\/u><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os dados mais confi\u00e1veis que nos permitiram sintetizar os resultados de diferentes pa\u00edses de forma significativa vieram do sistema de sa\u00fade ingl\u00eas, da Austr\u00e1lia e Espanha. Os dados da Nova Zel\u00e2ndia eram de pacientes com 45-64 anos de idade, enquanto os dados dos dois estudos retrospectivos do Canad\u00e1 e da Holanda n\u00e3o apresentavam detalhes suficientes para permitir uma an\u00e1lise compar\u00e1vel aos outros tr\u00eas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Tabela 2 apresenta um <em>ranking<\/em> em termos de carga de DSAP para Inglaterra, Austr\u00e1lia e Espanha. A carga de DSAP foi calculada considerando o n\u00famero de interna\u00e7\u00f5es e o tempo de interna\u00e7\u00e3o resultante de cada hospitaliza\u00e7\u00e3o. Alguns resultados de todos os pa\u00edses s\u00e3o apresentados nas se\u00e7\u00f5es seguintes. Os dados de todos os pa\u00edses podem ser encontrados em um arquivo suplementar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tabela 2:<\/strong> Carga de DSAP evit\u00e1vel para a Inglaterra, Austr\u00e1lia e Espanha<\/p>\n<table width=\"432\">\n<tbody>\n<tr>\n<td width=\"218\"><strong>Condi\u00e7\u00e3o<\/strong><\/td>\n<td width=\"64\"><strong>RU<\/strong><\/td>\n<td width=\"78\"><strong>Austr\u00e1lia<\/strong><\/td>\n<td width=\"72\"><strong>Espanha<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"218\">Influenza e pneumonia<\/td>\n<td width=\"64\">*****<\/td>\n<td width=\"78\">*****<\/td>\n<td width=\"72\">***<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"218\">DPOC<\/td>\n<td width=\"64\">****<\/td>\n<td width=\"78\">***<\/td>\n<td width=\"72\">****<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"218\">ICC<\/td>\n<td width=\"64\">**<\/td>\n<td width=\"78\">****<\/td>\n<td width=\"72\">*****<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"218\">Diabetes<\/td>\n<td width=\"64\">***<\/td>\n<td width=\"78\">**<\/td>\n<td width=\"72\">*<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"218\">ITU<\/td>\n<td width=\"64\"><\/td>\n<td width=\"78\">*<\/td>\n<td width=\"72\">**<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"218\">Celulite<\/td>\n<td width=\"64\">*<\/td>\n<td width=\"78\"><\/td>\n<td><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Nota:<\/strong> maior n\u00famero de * indica maior carga criada pelas interna\u00e7\u00f5es evit\u00e1veis (utilizando o total de interna\u00e7\u00f5es anuais e o tempo de interna\u00e7\u00e3o no hospital).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><u>Conclus\u00f5es espec\u00edficas de cada pa\u00eds<\/u><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os \u00faltimos dados do NHS na Inglaterra <strong>sobre interna\u00e7\u00f5es hospitalares evit\u00e1veis<\/strong> (2) em 2019 sugerem que:<\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li><strong>Sete problemas de sa\u00fade s\u00e3o respons\u00e1veis por tr\u00eas quartos do total de casos de interna\u00e7\u00f5es evit\u00e1veis<\/strong> (gripe e pneumonia, DPOC, infec\u00e7\u00f5es de ouvido, nariz e garganta, convuls\u00f5es e epilepsia, complica\u00e7\u00f5es do diabetes, celulite e asma), e quatro deles (gripe e pneumonia, DPOC, infec\u00e7\u00f5es de ouvido, nariz e garganta, convuls\u00f5es e epilepsia) respondem por mais da metade das interna\u00e7\u00f5es.<\/li>\n<li>O <strong>maior \u00edndice de interna\u00e7\u00f5es foi devido \u00e0 gripe e pneumonia<\/strong>, que mostrou um aumento em rela\u00e7\u00e3o aos anos anteriores. A gripe e a pneumonia tamb\u00e9m t\u00eam a segunda maior taxa de tempo de interna\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<li>Quando se trata de <strong>reinterna\u00e7\u00f5es evit\u00e1veis<\/strong>, a DPOC \u00e9 a condi\u00e7\u00e3o mais comum (19% do total).<\/li>\n<li>O maior aumento de casos desde 2014 foi observado para hipertens\u00e3o (aumento de 80%), seguido pela defici\u00eancia de ferro (anemia) com aumento de 53%, influenza e pneumonia com aumento de 47%, e complica\u00e7\u00f5es do diabetes com aumento de 39%.<\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os \u00faltimos dados da <strong>Austr\u00e1lia<\/strong> (3) sobre interna\u00e7\u00f5es hospitalares por DSAP potencialmente evit\u00e1veis em 2017 sugerem:<\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Quase <strong>10% de todos os dias de leito<\/strong> hospitalar foram para interna\u00e7\u00f5es potencialmente evit\u00e1veis.<\/li>\n<li>O <strong>maior n\u00famero de casos de interna\u00e7\u00e3o evit\u00e1vel deve-se \u00e0 DPOC<\/strong>, embora quando traduzidos em dias de hospitaliza\u00e7\u00e3o, a pneumonia e a gripe sejam as principais causas.<\/li>\n<li>O n\u00famero de interna\u00e7\u00f5es hospitalares evit\u00e1veis <strong>aumentou consistentemente<\/strong> desde 2014, chegando a 715.336 casos em 2017.<\/li>\n<li>A maioria das causas de interna\u00e7\u00e3o evit\u00e1vel (com exce\u00e7\u00e3o de angina, diabetes, infec\u00e7\u00f5es de urina e \u00falcera hemorr\u00e1gica que parecem se estabilizar) <strong>tem aumentado<\/strong> desde 2014.<\/li>\n<li>As principais causas de interna\u00e7\u00e3o hospitalar evit\u00e1vel de acordo com os casos incluem <strong>DPOC, infec\u00e7\u00e3o do trato urin\u00e1rio, problemas dent\u00e1rias, celulite e defici\u00eancia de ferro<\/strong>. Em termos de dias totais de interna\u00e7\u00e3o, as principais causas s\u00e3o pneumonia e gripe, insufici\u00eancia card\u00edaca congestiva, DPOC, infec\u00e7\u00f5es do trato urin\u00e1rio e celulite.<\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Na Espanha<\/strong>, os dados mais recentes s\u00e3o de 2017 (4) e mostram que:<\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Houve varia\u00e7\u00f5es regionais em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s principais interna\u00e7\u00f5es hospitalares evit\u00e1veis.<\/li>\n<li>As principais raz\u00f5es para interna\u00e7\u00e3o foram ICC, DPOC e diabetes.<\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na <strong>Nova Zel\u00e2ndia<\/strong>, os dados mais recentes para DSAPs s\u00e3o de pessoas entre 45-64 (5) anos, s\u00e3o de 2019 e mostram que:<\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>As principais condi\u00e7\u00f5es incluem: angina, celulite, infarto, gastroenterite, DPOC, pneumonia, infec\u00e7\u00e3o renal\/urin\u00e1ria, ICC, acidente vascular cerebral, epilepsia.<\/li>\n<\/ul>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Os dados variam de acordo com a etnia dos pacientes.<\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No <strong>Canad\u00e1<\/strong>, um estudo recente (6) revelou que:<\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Os pacientes internados principalmente por angina, ICC e DPOC, sendo que a asma foi menos comum nos homens, e hipertens\u00e3o foi o motivo menos comum nas mulheres.<\/li>\n<li>A an\u00e1lise mostrou que as vari\u00e1veis comportamentais de sa\u00fade tiveram os maiores tamanhos de efeito, incluindo tabagismo intenso (Homens HR 2,65 (IC 95% 2,17-3,23); Mulheres HR 3,41 (IC 95% 2,81-4,13)) e baixo peso (Homens HR 1,98 (IC 95% 1,14-3,43); Mulheres HR 2,78 (IC 95% 1,61-4,81)).<\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na <strong>Holanda<\/strong> (7):<\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Em 2014, ocorreram 89,8 interna\u00e7\u00f5es hospitalares por CSAPs por 10 mil habitantes segurados.<\/li>\n<li>Os principais motivos para interna\u00e7\u00e3o foram angina, infarto e DPOC.<\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONCLUS\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta revis\u00e3o r\u00e1pida concluiu que, na Inglaterra, Espanha e Austr\u00e1lia, as interven\u00e7\u00f5es de sa\u00fade prim\u00e1ria direcionadas para pacientes com influenza, DPOC, ICC, diabetes, ITU e celulite podem ajudar a reduzir as interna\u00e7\u00f5es evit\u00e1veis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A influenza e a pneumonia foram respons\u00e1veis pelo maior n\u00famero de casos evit\u00e1veis de interna\u00e7\u00f5es por DSAP (16% do total) no NHS ingl\u00eas e pelo maior n\u00famero total de dias no hospital na Austr\u00e1lia. Os sistemas de sa\u00fade enfrentam a poss\u00edvel necessidade de reorganizar o atendimento por 12 a 24 meses, per\u00edodo durante o qual n\u00e3o haver\u00e1 uma vacina para o Covid-19. Uma medida de sa\u00fade p\u00fablica que a maioria desses pa\u00edses est\u00e1 implementando atualmente \u00e9 assegurar a ado\u00e7\u00e3o adequada das vacinas atuais e futuras contra a gripe, a fim de reduzir as interna\u00e7\u00f5es evit\u00e1veis. Interven\u00e7\u00f5es relacionadas com a vacina\u00e7\u00e3o poderiam levar a uma redu\u00e7\u00e3o de mais de 800.000 interna\u00e7\u00f5es na Inglaterra e poderiam liberar at\u00e9 424.068 dias de leito hospitalar na Austr\u00e1lia por ano, em uma esta\u00e7\u00e3o normal de gripe.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para DPOC, ICC, diabetes, ITU e celulite sugerimos que uma s\u00e9rie de revis\u00f5es r\u00e1pidas sejam realizadas para identificar interven\u00e7\u00f5es eficazes que poderiam ser implementadas e adaptadas rapidamente (conforme necess\u00e1rio) na aten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria. A preven\u00e7\u00e3o e o manejo dos pacientes no ambiente comunit\u00e1rio podem ajudar os hospitais a lidar com o excesso de demanda decorrente da COVID-19 e garantir a seguran\u00e7a e o bem-estar dos pacientes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Declara\u00e7\u00e3o:<\/strong> o artigo n\u00e3o foi revisado por pares; n\u00e3o deve substituir o julgamento cl\u00ednico individual e as fontes citadas devem ser verificadas. As opini\u00f5es expressas neste coment\u00e1rio representam as opini\u00f5es dos autores e n\u00e3o necessariamente as da institui\u00e7\u00e3o anfitri\u00e3, do NHS, do NIHR, ou do Departamento de Sa\u00fade e Assist\u00eancia Social. Os pontos de vista n\u00e3o substituem a orienta\u00e7\u00e3o profissional de um m\u00e9dico.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Autores<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Charitini Stavropoulou<\/strong> \u00e9 Conferencista Senior em Pesquisa em Servi\u00e7os de Sa\u00fade na Faculdade de Ci\u00eancias da Sa\u00fade da City, Universidade de Londres, Inglaterra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Victoria Palmer<\/strong> \u00e9 Professora Associada em Cuidados Prim\u00e1rios de Sa\u00fade Mental no Departamento de Cl\u00ednica Geral, Melbourne Medical School, The University of Melbourne, Austr\u00e1lia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Amanda Burls<\/strong> \u00e9 m\u00e9dica de sa\u00fade p\u00fablica e professora em\u00e9rita de Sa\u00fade P\u00fablica na Faculdade de Ci\u00eancias da Sa\u00fade da City, Universidade de Londres, Inglaterra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Eukene Ansuategi<\/strong> \u00e9 bibliotec\u00e1rio do Hospital Universit\u00e1rio Donostial, Espanha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>M\u00aa Del Mar Ubeda Carrillo<\/strong> \u00e9 bibliotec\u00e1ria do Hospital Universit\u00e1rio Donostial, Espanha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sarah Purdy<\/strong> \u00e9 Cl\u00ednica Geral e Professora de Aten\u00e7\u00e3o Prim\u00e1ria no Centro de Aten\u00e7\u00e3o Prim\u00e1ria Acad\u00eamica, Faculdade de Medicina de Bristol, Universidade de Bristol, Inglaterra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Estrat\u00e9gia de busca<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Inicialmente fizemos buscas no Medline, EMBASE, CINAHL, PsycInfo, e Google Scholar. Tamb\u00e9m fizemos buscas por literatura cinzenta no King&#8217;s Fund, Health Foundation, The Nuffield Trust, OMS, e OCDE. As palavras usadas nas buscas inclu\u00edram: a) Risk factor OR predictor OR cause and b) Prevent* OR avoid* OR unplanned OR emergency OR unscheduled OR unanticipated OR unexpected OR Ambulatory Care Sensitive Conditions and c) hospital* OR hospital admissions OR hospital readmissions.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para garantir a obten\u00e7\u00e3o dos n\u00fameros mais atualizados, sempre que poss\u00edvel baixamos os \u00faltimos dados sobre DSAP dos conjuntos nacionais de dados online.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<ol>\n<li>Huntley A, Lasserson D, Wye L, Morris R, Checkland K, England H, et al. Which features of primary care affect unscheduled secondary care use? A systematic review. BMJ Open. 2014 May 1;4(5):e004746.<\/li>\n<li>NHS Digital. Ambulatory Care Sensitive Conditions (ACSC) \u2013 NHS Digital [Internet]. 2020 [cited 2020 Apr 7]. Available from: https:\/\/digital.nhs.uk\/data-and-information\/data-tools-and-services\/data-services\/innovative-uses-of-data\/demand-on-healthcare\/ambulatory-care-sensitive-conditions#top<\/li>\n<li>Australian Institute of Health and Welfare. Potentially preventable hospitalisations in Australia by age groups and small geographic areas, 2017\u201318, Overview [Internet]. Australian Institute of Health and Welfare. 2019 [cited 2020 Apr 7]. Available from: https:\/\/www.aihw.gov.au\/reports\/primary-health-care\/potentially-preventable-hospitalisations\/contents\/overview<\/li>\n<li>Ministerio de Sanidad, Consumo y Bienestar Social, Subdirecci\u00f3n General de Informaci\u00f3n Sanitaria e Innovaci\u00f3n. Registro de Atenci\u00f3n Especializada\/Conjunto M\u00ednimo B\u00e1sico de Datos (RAE-CMBD) de los hospitales del Sistema Nacional de Salud [Internet]. Madrid: Ministerio de Sanidad, Consumo y Bienestar Social;] [Internet]. [cited 2020 Apr 14]. Available from: http:\/\/icmbd.es<\/li>\n<li>Nationwide Service Framework Library. Ambulatory sensitive (avoidable) hospital admissions [Internet]. 2020 [cited 2020 Apr 18]. Available from: https:\/\/nsfl.health.govt.nz\/accountability\/performance-and-monitoring\/data-quarterly-reports-and-reporting\/ambulatory-sensitive<\/li>\n<li>Wallar LE, Rosella LC. Risk factors for avoidable hospitalizations in Canada using national linked data: A retrospective cohort study. PLOS ONE. 2020 Mar 17;15(3):e0229465.<\/li>\n<li>Paul MC, Dik J-WH, Hoekstra T, van Dijk CE. Admissions for ambulatory care sensitive conditions: a national observational study in the general and COPD population. Eur J Public Health. 2019 Apr 1;29(2):213\u20139.<\/li>\n<\/ol>\n<p><strong>Link para o original: <\/strong><a href=\"https:\/\/www.cebm.net\/covid-19\/what-conditions-could-we-prioritise-in-the-primary-care-setting-to-reduce-non-covid-related-admissions-to-hospital\/\">https:\/\/www.cebm.net\/covid-19\/what-conditions-could-we-prioritise-in-the-primary-care-setting-to-reduce-non-covid-related-admissions-to-hospital\/<\/a><\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text]Tradutores:\u00a0Daniela Oliveira de Melo, Maria Regina Torloni &nbsp; Parecer Esta revis\u00e3o r\u00e1pida concluiu que interven\u00e7\u00f5es direcionadas para influenza, DPOC, ICC, diabetes, ITU e celulite deveriam ser identificadas para aumentar o manejo desses casos na aten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria a sa\u00fade. Isto poderia manter as pessoas bem e teria o potencial de reduzir interna\u00e7\u00f5es hospitalares evit\u00e1veis. 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