{"id":1680,"date":"2020-03-21T13:19:24","date_gmt":"2020-03-21T13:19:24","guid":{"rendered":"http:\/\/oxfordbrazilebm.com\/?page_id=1680"},"modified":"2020-03-21T13:19:27","modified_gmt":"2020-03-21T13:19:27","slug":"aines-para-infeccao-respiratoria-aguda","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/oxfordbrazilebm.com\/index.php\/aines-para-infeccao-respiratoria-aguda\/","title":{"rendered":"AINEs para infec\u00e7\u00e3o respirat\u00f3ria aguda"},"content":{"rendered":"<p>Tradutores: Tatiane Ribeiro, Ana Luiza Cabrera Martimbianco, Rachel Riera<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #666699;\"><strong>Veredito:<\/strong> \u00c9 preciso precau\u00e7\u00e3o na utiliza\u00e7\u00e3o de anti-inflamat\u00f3rios n\u00e3o esteroidais (AINEs) no contexto de infec\u00e7\u00f5es respirat\u00f3rias agudas (IRAs). Condi\u00e7\u00f5es de sa\u00fade preexistentes e medicamentos em uso s\u00e3o informa\u00e7\u00f5es que precisam ser consideradas ao se decidir sobre a prescri\u00e7\u00e3o de AINEs para IRA sintom\u00e1tica. A menor dose efetiva deve ser prescrita e pelo menor per\u00edodo poss\u00edvel. O uso de AINEs por via parenteral deve ser evitado.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #666699;\"><strong>Os AINEs n\u00e3o reduzem de modo significativo os sintomas ou dura\u00e7\u00e3o das infec\u00e7\u00f5es respirat\u00f3rias.<\/strong><\/span><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Os AINEs <\/strong>s\u00e3o amplamente utilizados por pacientes com IRA ou resfriado comum para al\u00edvio de dor e febre. Os benef\u00edcios e riscos de seu uso devem ser considerados. As evid\u00eancias atuais sobre o coronav\u00edrus ainda s\u00e3o escassas, e por isso, as evid\u00eancias sobre IRAs t\u00eam sido utilizadas como base para esta revis\u00e3o.<\/p>\n<p><span style=\"color: #666699;\"><strong>Os AINEs aumentam as taxas de infarto do mioc\u00e1rdio em pacientes com IRAs?<\/strong><\/span><\/p>\n<p><strong>(Data de atualiza\u00e7\u00e3o: 17\/03\/2020 e Data da tradu\u00e7\u00e3o: 19\/03\/2020)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Doen\u00e7as semelhantes \u00e0 gripe e \u00e0s IRAs est\u00e3o associadas a aumento do risco de infarto agudo do mioc\u00e1rdio (IAM). Uma metan\u00e1lise de 16 estudos caso-controle identificou que as doen\u00e7as semelhantes \u00e0 influenza eram duas vezes mais prov\u00e1veis de ocorrer entre pessoas com IAM (<em>Odds Ratio <\/em>[OR]: 2,01; IC 95%: 1,47-2,76) (1).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O uso prolongado de AINEs tem sido associado ao aumento do risco de parada card\u00edaca. Dados individuais de quatro estudos com 446.763 indiv\u00edduos incluindo 61.460 pessoas com IAM, mostraram o uso de AINE em qualquer dose por uma semana ou mais estava associado ao aumento de 50% do risco de IAM (OR [Ibuprofeno]: 1,48; IC 95%: 1,00 &#8211; 2,26; OR [diclofenaco: 1,50; IC 95%:1,06 &#8211; 2,04; OR [naproxeno]: 1,53; IC 95%: 1,07 &#8211; 2,33) (2).<\/p>\n<p><span style=\"color: #666699;\"><strong>O uso de AINEs durante IRAs t\u00eam sido associado a aumento do risco de infarto do mioc\u00e1rdio.<\/strong><\/span><\/p>\n<p><strong> (Data de atualiza\u00e7\u00e3o: 17\/03\/2020 e Data da tradu\u00e7\u00e3o: 19\/03\/2020)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma an\u00e1lise retrospectiva de 9.793 casos incidentes de IAM em Taiwan, entre 2007 e 2011, constatou que:<\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Em pessoas que usaram AINEs durante IRAs, o risco de IAM aumentou 3,4 vezes (odds ratio ajustado [OR<sub>ajustado<\/sub>]*: 3,41; IC 95%: 2,80 &#8211; 4,16);<\/li>\n<\/ul>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Em pessoas que N\u00c3O usaram AINEs durante IRAs, o risco de IAM aumentou 2,7 vezes (OR<sub>ajustado<\/sub>: 2,65; IC 95% 2,29 &#8211; 3,06);<\/li>\n<li>Em pessoas que usaram AINEs por via parenteral (qualquer via de administra\u00e7\u00e3o n\u00e3o oral), o risco de IAM auemtou 7 vezes (OR<sub>ajustado<\/sub>: 7,22; IC95%: 4,07 &#8211; 12,81) (3).<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p><span style=\"color: #666699;\"><strong>O uso de AINEs durante IRAs tem sido associado a um aumento do risco de acidente vascular encef\u00e1lico (AVE)<\/strong><\/span><\/p>\n<p><strong>(Data de atualiza\u00e7\u00e3o: 17\/03\/2020 e Data da tradu\u00e7\u00e3o: 19\/03\/2020)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma an\u00e1lise de 29.518 caso incidentes de AVE sugeriu que o uso de AINEs estava associado a mais do que o dobro de risco de AVE (OR<sub>ajustado:<\/sub> 2,27; IC95% 2,00 &#8211; 2,58). O uso de AINEs parenterais foi associado a um risco 4 vezes maior de AVE isqu\u00eamico (OR<sub>ajustado:<\/sub> 4,24; IC 95%: 2,92 \u2010 6,15) e risco 9 vezes maior de AVE hemorr\u00e1gico (OR<sub>ajustado<\/sub>: 9,71; IC 95%: 3,79 \u2010 24,92) (4).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">* Ajustado para uso discordante de medicamentos concomitantes antes da data \u00edndice.<\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Recomenda\u00e7\u00e3o do British National Formulary \/ National Institute for Health and Care Excellence (BNF\/ NICE, UK)<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018<em>O uso de todos os AINEs (incluindo inibidores seletivos da ciclooxigenase-2) pode, em n\u00edveis variados, estar associado a um pequeno aumento do risco de eventos tromb\u00f3ticos (por exemplo, IAM e AVE), independentemente dos fatores de risco cardiovasculares iniciais ou da dura\u00e7\u00e3o do uso. No entanto, o maior risco pode estar presente entre pacientes que recebem altas doses por um longo prazo.<\/em>&#8216;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018<em>A menor dose eficaz de AINE deve ser prescrita pelo menor per\u00edodo poss\u00edvel para controle dos sintomas; a necessidade de tratamento por longo prazo deve ser revista periodicamente<\/em>.\u2019(5)<\/p>\n<p><span style=\"color: #666699;\"><strong>Os AINEs afetam a dura\u00e7\u00e3o da infec\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma revis\u00e3o sistem\u00e1tica Cochrane \u00a0que incluiu 9 ensaios cl\u00ednicos randomizados (1.069 participantes) sobre os efeitos dos AINEs no tratamento do resfriado comum mostrou o uso de AINEs n\u00e3o houve reduziu significativamente o escore total de sintomas (DMP [diferen\u00e7a de m\u00e9dia padronizada]: \u20100,40; IC95%: -1,03 a 0,24) ou a dura\u00e7\u00e3o do resfriado comparado ao placebo. O efeito no al\u00edvio da dor (dor de cabe\u00e7a, dor de ouvido e dores musculares e articulares) foi significativo (6).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cinco estudos avaliaram eventos adversos. Uma metan\u00e1lise sugeriu que o risco de eventos adversos gerais com o uso AINEs parece ser 3 vezes maior \u200b\u200b(raz\u00e3o de risco [RR]: 2,94; IC 95%: 0,51 a 17,03), mas esta diferen\u00e7a n\u00e3o foi significativa. Os eventos adversos observados inclu\u00edram eventos gastrointestinais, letargia \/ sonol\u00eancia, sensa\u00e7\u00e3o de hiperatividade, sensa\u00e7\u00e3o de estar mais acordado, rosto corado, dificuldade para dormir, tontura e boca seca (6).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p><span style=\"color: #666699;\"><strong>O uso de AINEs piora os desfechos em infec\u00e7\u00f5es respirat\u00f3rias?<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00f3s encontramos cinco estudos que relacionaram o uso de AINEs \u00e0 piora dos desfechos, todos s\u00e3o estudos observacionais e s\u00e3o dif\u00edceis de interpretar, pois est\u00e3o sujeitos a vi\u00e9s de \u00a0confus\u00e3o relacionado \u00e0 indica\u00e7\u00e3o: pacientes com sintomas mais graves podem utilizar mais AINEs, o que n\u00e3o necessariamente causa a doen\u00e7a. Todos os cinco estudos sugerem que os AINEs pioram os desfechos, o que refor\u00e7a a recomenda\u00e7\u00e3o de se usar a menor dose efetiva pelo menor per\u00edodo de tempo poss\u00edvel.<\/p>\n<ol>\n<li style=\"text-align: justify;\">Um pequeno estudo observacional prospectivo (com 57 participantes) mostrou que o uso de AINEs por mais de 6 dias e a presen\u00e7a de imunossupress\u00e3o antes da admiss\u00e3o estavam associados \u00e0 hospitaliza\u00e7\u00e3o prolongada. Os pacientes que usaram AINEs antes da hospitaliza\u00e7\u00e3o, o fizeram por um per\u00edodo m\u00e9dio de 4,4 dias (8).<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Em uma coorte de 90 pacientes consecutivos com pneumonia adquirida na comunidade (PAC) admitidos em uma UTI por um per\u00edodo de quatro anos, 32 (36%) haviam recebido AINEs antes de serem encaminhados ao hospitalar. Os pacientes em uso de AINEs eram mais jovens, tinham menos comorbidades e maior tempo de dura\u00e7\u00e3o dos sintomas antes de serem encaminhados. Eles apresentavam mais empiema pleural e complica\u00e7\u00f5es de cavita\u00e7\u00e3o pulmonar (37,5% versus 7%; p = 0,0009) e apresentaram taxas mais altas de bacteremia (69% versus 27%, p = 0,009) quando comparados com os pacientes que n\u00e3o usavam AINEs. (9).<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Em um estudo que avaliou 221 pacientes com PAC, 40 (18%) desenvolveram uma complica\u00e7\u00e3o pleuropulmonar. O uso de AINEs antes da admiss\u00e3o foi relatada em 24 pacientes (11%), os quais eram mais jovens (51 versus 67 anos), apresentavam menos comorbidades (60 versus 25%) e maior tempo entre os primeiros sintomas da PAC e o in\u00edcio da antibioticoterapia (6,1 versus 2,8 dias; p = 0,001). Eles tamb\u00e9m apresentaram taxas mais altas de complica\u00e7\u00f5es pleuropulmonares (33 versus 16%; p = 0,048) \u00a0do que os pacientes que n\u00e3o usavam AINEs (10).<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Os AINEs tamb\u00e9m podem mascarar os sintomas iniciais e retardar a terapia antimicrobiana. Uma revis\u00e3o de prontu\u00e1rios m\u00e9dicos de 106 pacientes com PAC pneumoc\u00f3cica confirmada mostrou que 20 receberam AINEs de 2 a 6 dias antes da admiss\u00e3o. Os pacientes expostos aos AINEs eram mais jovens (43 versus 62 anos), tiveram mais derrames pleurais complicados (20% versus 2,3%; p = 0,01) e exigiram mais suporte ventilat\u00f3rio n\u00e3o invasivo (25% versus 4,6%; p = 0,003) (11).<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Um estudo caso-controle multic\u00eantrico realizado em 8 UTIs incluiu 152 pacientes adultos internados por sepse grave ou choque s\u00e9ptico devido \u00e0 infec\u00e7\u00e3o bacteriana adquirida na comunidade. Este estudo mostrou que em pacientes em uso de AINEs (27%) o tempo m\u00e9dio para a prescri\u00e7\u00e3o de antibioticoterapia efetiva foi mais longo (m\u00e9dia: 6 dias, IC 95%: 3 a 7 dias), do que para os pacientes que n\u00e3o estavam em uso (m\u00e9dia: 3 dias; IC 95% = 2 a 3 dias; p = 0,02) (12).<\/li>\n<\/ol>\n<p><span style=\"color: #666699;\"><strong>Os AINEs t\u00eam impacto na mortalidade geral de pessoas com IRAs?\u00a0<\/strong><\/span><\/p>\n<p>Resposta dispon\u00edvel em breve.<\/p>\n<p><span style=\"color: #666699;\"><strong>Os AINEs aumentam os problemas renais e \/ ou hipertens\u00e3o arterial em pessoas com\u00a0 IRAs?\u00a0<\/strong><\/span><\/p>\n<p>Resposta dispon\u00edvel em breve.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Declara\u00e7\u00e3o:<\/strong> este artigo n\u00e3o foi revisado por pares; n\u00e3o deve substituir o julgamento cl\u00ednico individual e as fontes citadas devem ser verificadas. As opini\u00f5es expressas nesse coment\u00e1rio representam as opini\u00f5es dos autores e n\u00e3o necessariamente as da institui\u00e7\u00e3o anfitri\u00e3, do National Health Service (HHS), do National Institute for Health Research (NIHR) ou do Departamento de Sa\u00fade do Reino Unido. As opini\u00f5es n\u00e3o substituem a consulta m\u00e9dica.<\/p>\n<p><strong>Link para o original: <\/strong><a href=\"https:\/\/www.cebm.net\/oxford-covid-19\/nsaids-in-acute-respiratory-infection\/\">https:\/\/www.cebm.net\/oxford-covid-19\/nsaids-in-acute-respiratory-infection\/<\/a><\/p>\n<p><strong>Deve ser citado como: <\/strong>Oxford COVID-19 Evidence Service. Carl Heneghan and Jon Brassey. <a href=\"https:\/\/www.cebm.net\/oxford-covid-19\/nsaids-in-acute-respiratory-infection\/\">https:\/\/www.cebm.net\/oxford-covid-19\/nsaids-in-acute-respiratory-infection\/<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tradutores: Tatiane Ribeiro, Ana Luiza Cabrera Martimbianco, Rachel Riera Veredito: \u00c9 preciso precau\u00e7\u00e3o na utiliza\u00e7\u00e3o de anti-inflamat\u00f3rios n\u00e3o esteroidais (AINEs) no contexto de infec\u00e7\u00f5es respirat\u00f3rias agudas (IRAs). Condi\u00e7\u00f5es de sa\u00fade preexistentes e medicamentos em uso s\u00e3o informa\u00e7\u00f5es que precisam ser consideradas ao se decidir sobre a prescri\u00e7\u00e3o de AINEs para IRA sintom\u00e1tica. A menor dose&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"footnotes":""},"class_list":["post-1680","page","type-page","status-publish","hentry","description-off"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/oxfordbrazilebm.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/1680","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/oxfordbrazilebm.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/oxfordbrazilebm.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/oxfordbrazilebm.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/oxfordbrazilebm.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1680"}],"version-history":[{"count":12,"href":"https:\/\/oxfordbrazilebm.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/1680\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1692,"href":"https:\/\/oxfordbrazilebm.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/1680\/revisions\/1692"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/oxfordbrazilebm.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1680"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}